Tomilho, salva, gengibre, alecrim ou funcho foram algumas das plantas silvestres que serviram de base a algumas confecções culinárias apresentadas recentemente em Vila Real. Propostas baseadas em produtos locais que se poderão transformar em oportunidades de negócio para os produtores.
A Câmara de Vila Real, através do projecto de Preservação da Biodiversidade, desafiou profissionais da cozinha a inspiram-se na flora autóctone e espontânea para criarem novos pratos ou recuperaram receitas antigas.
As iguarias foram dadas a provar no âmbito do primeiro encontro gastronómico «O valor dos simples: a Natureza à mesa».
Tartes de folhas silvestres, tempuras de salva e talos de acelga, milhos de legumes, migas de chícharos com couve-galega, maionese de ervas finas, creme aveludado de urtigas ou pão-de-ló com flores, foram alguns dos pratos apresentados pelos chefes envolvidos na iniciativa.
O chefe Alexandre Ferreira, da Escola de Hotelaria e Turismo do Douro, disse que muitas das plantas e ervas usadas, as quais se podem encontrar nos montes e hortas, estão «muito subaproveitadas».
A utilização de plantas silvestres perdeu espaço nas últimas décadas e pretende-se agora que voltem a ter uma utilização corrente na nossa alimentação, até pelo elevado valor nutricional que possuem.
«Há um mundo fantástico na natureza que se despreza porque se desconhece», salientou o professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), José Ribeiro.
O docente acrescentou que «não é pequena a lista de plantas bravias que podem ser utilizadas na alimentação humana, tanto directamente como utilizadas como condimento».
«Felizmente hoje por via gourmet, cozinha de uma certa elite, está-se a recuperar o mundo que era mais rústico e rural e que se estava a perder com a falta de aprendizagem da botânica», frisou ainda José Ribeiro.
Este projecto pretende valorizar economicamente a biodiversidade, procurando gerar novos negócios e fomentar a economia do meio rural.
«Há muitas espécies de plantas que estão ignoradas e que estão abandonadas e que os produtores podem ver na sua produção um grande negócio e o negócio arrasta empregos», sublinhou o vereador da Câmara de Vila Real, Adriano Sousa.
E há neste território, segundo acrescentou, um «manancial de produtos» que podem «ser explorados».
A ideia é ainda criar uma rede local de agentes económicos de vários sectores, que passem a trabalhar em conjunto e de forma organizada, procurando desenvolver novos conhecimentos e novas práticas.
O Programa de Preservação da Biodiversidade de Vila Real foi lançado em 2010, com um investimento de 1,7 milhões de euros aprovado no âmbito do Programa Operacional Regional do Norte (ON.2 - O Novo Norte).
Fonte: Cafe Portugal
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