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sexta-feira, 13 de junho de 2014

Divulgado Genoma de 3.000 variedades de arroz

A revista de acesso aberto GigaScience tornou pública a sequenciação do genoma de 3000 variedades de arroz e colocou à disposição do público toda a informação numa base de dados, o que quadruplica a que estava disponível. O projeto conta com o apoio financeiro da Fundação Bill e Melinda Gates e o seu objetivo é melhorar a segurança alimentar mundial, com maior incidência nos países pobres.
 
A GigaScience, uma revista open source editada pela Beijing Genomics Institute (BGI) e Biomed Central anunciou hoje a publicação de um artigo com a sequenciação do genoma de 3000 variedades de arroz.

A iniciativa, que é fruto de uma colaboração entre a Academia Chinesa de Agricultura, o Instituto Internacional de Investigação do Arroz (IRRI) e BGI, conta com o financiamento da Fundação Bill e Melinda Gates e do Ministério da Ciência e Tecnologia da China (CAAS).
A publicação em aberto da sequenciação e a disponibilização da enorme base de dados (que quadruplica os dados de sequências de arroz disponíveis até ao momento), coincide com a celebração do Dia Mundial contra a Fome e tem como objetivo melhorar a segurança alimentar mundial. Toda a informação poderá consultar em GigaDB, a base de dados em aberto de GigaScience.

Os impulsores de The 3000 Rice Genomes Project destacam que, com o cenário de 1 em cada 8 habitantes afetados pela fome e pobreza extrema, e uma população mundial cada vez maior – que poderá alcançar os 9600 milhões em 2050 – é necessário criar novos recursos para melhorar o rendimento das sementes, reduzir o impacto das práticas agrícolas no meio ambiente e desenvolver cultivos de alimentos nutritivos de alto rendimento, que possam crescer com êxito em ambientes atacados pela seca, pragas, doenças, ou má qualidade dos solos.
Ainda que a investigação tenha avançado muito desde que se publicou a primeira sequencia do genoma do arroz de alta qualidade em 2005, verificaram-se muito poucas alterações nas práticas de cultivo que são necessárias para a produção de melhores sementes e mais adaptadas.

Cultivos inteligentes

Zhikang Li, diretor do projeto na Academia Chinesa de Agricultura, assinalou que a iniciativa é parte de um esforço contínuo que trata de proporcionar recursos aos camponeses afetados pela pobreza em África e na Ásia, com o objetivo de chegar pelo menos a 20 milhões de agricultores de arroz em 16 países (8 em África e 8 em Ásia).

“O arroz é o alimento básico em Ásia e o seu consumo aumentou em África. Com a diminuição dos recursos hídricos e de terras de cultivo, a segurança alimentar é e será um dos maiores desafios nessas zonas. Como cientista especializado na genética do arroz, no seu cultivo e no seu genoma, seria um sonho para mim ajudar a resolver este problema”, sublinhou.


Fonte: AGROTEC

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Nordeste transmontano investe 33 milhões de euros na amêndoa

Agricultores transmontanos estão apostar na produção de amêndoa com investimentos de 33 milhões de euros na expansão de amendoal na região maior produtora nacional deste fruto seco, divulgou a Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte.

Segundo dados avançados à Lusa pelo director regional, Manuel Cardoso, depois de até 2009 se ter registado um decréscimo do número de hectares de amendoal na região, regista-se agora um aumento traduzido no número de pedidos de apoio financeiro ao Programa de Desenvolvimento Rural (PRODER).

Mostrar que a produção de amêndoa no Nordeste Transmontano tem potencial para crescer e que pode ser lucrativa para os agricultores é o propósito das jornadas técnicas que vão juntar especialistas e produtores, na sexta-feira, em Alfândega da Fé.

No Nordeste Transmontano, sobretudo nas zonas da Terra Quente e do Douro Superior, mais para o sul do Distrito de Bragança, concentra-se a maior parte do amendoal português, 16 mil dos cerca de 24 mil hectares, e daqui sai 67 por cento da produção nacional de amêndoa.

O volume de negócios gerado por este fruto seco em Trás-os-Montes ronda os oito mil euros por ano resultado de uma produção de cerca de duas mil toneladas, enquanto a vizinha Espanha, líder europeia na produção, colhe cerca de 220 mil toneladas por ano.

As estatísticas oficiais revelem que o interesse por esta cultura está a aumentar com a direcção regional de agricultura a contabilizar «714 pedidos» de financiamento ao PRODER.

O director Manuel Cardoso adiantou que estão aprovados subsídios no valor de 17 milhões de euros para um investimento global de 33 milhões na expansão do amendoal em três mil hectares.

Manuel Cardoso destacou que acrescem ainda 12 milhões atribuídos pelo PRODER a alguns destes projectos como prémio à primeira instalação, ou seja iniciativa de jovens agricultores.

Dinamizar a fileira da amêndoa é o propósito dos promotores das jornadas programadas para Alfândega da Fé, no âmbito de um projecto que envolve a Direcção Regional de Agricultura, o Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e do Centro de Investigação da Montanha do Instituto Politécnico de Bragança.

A iniciativa vai juntar empresários, produtores, técnicos e investigadores num debate sobre novas formas de produzir e escoar a amêndoa de Trás-os-Montes e Alto Douro, através da aposta em variedades locais, com mais sabor e aroma, na conservação de variedades em extinção e no desenvolvimento de novos produtos ou até novas formas de utilização, como por exemplo, na cosmética, como explicou Ana Paula Silva, do CITAB.

«Temos condições naturais muito favoráveis ao cultivo, que é feito, praticamente, em modo de produção biológica. É também uma cultura económica e ambientalmente sustentável, com um enquadramento perfeito com a vinha e o olival», sustentou.

Além disso, a amêndoa adapta-se «a uma região desertificada e envelhecida como Trás-os-Montes pois os custos de produção são relativamente reduzidos e exige pouca mão-de-obra quando comparada com outras culturas, nomeadamente a vinha», esclareceu.


Fonte: AGROTEC