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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O segredo da fábrica de chocolates

Empoleirada na Azurara, margem esquerda do rio Ave, de onde desfruta de uma bela vista de Vila do Conde, a Imperial (grupo Rar) é mais do que uma fábrica de chocolates. É também um livro, um manual que explica como um campeão nacional de um país que balança à beira da falência consegue prosperar apesar de disputar um mercado estagnado com as multinacionais do sector, com a gigante Nestlé à cabeça.

Nós não somos de comer chocolate. O consumo anual português per capita estacionou em 1,5 kg há uma data de anos. É metade do consumo dos espanhóis. E miserável quando comparado com os oito quilos dos belgas, os dez dos ingleses e os 12 dos suíços.

Apesar disso, a Imperial prepara-se para fechar o ano com um doce crescimento de dois dígitos no volume de negócios, que ronda os 25 milhões de euros. Claro que o aumento da exportação deu uma ajuda. Um quarto da faturação é feita fora de portas, numa geografia variada que combina os mercados óbvios (Espanha, França, Luxemburgo, Angola, Moçambique e África do Sul) com outros que nem tanto, como a América Latina (Uruguai, Paraguai, Peru e Colômbia) e a Suíça, onde bate o coração da indústria de chocolate e a maior cadeia alimentar do país acaba de encomendar toda a linha Jubileu.

Mas o aumento das vendas não se esgota na exportação. Num mercado interno anémico e parado, a Imperial vai cometer a proeza de crescer 10%, o que significa que está a roubar quota à concorrência estrangeira.

O segredo da fábrica de chocolates Imperial consiste numa ágil combinação entre diferentes ingredientes: inovação, flexibilidade, qualidade e o hábil manejar do marketing na relação emocional forte que as suas marcas têm com o consumidor.

O exemplo mais acabado da importância deste último ingrediente é o tremendo sucesso que está a ser o relançamento da máquina de furos da Regina, a mítica marca de chocolates que a Imperial adquiriu em dezembro de 2000 e relançou na Páscoa de 2002, juntando-se no seu portfólio a outras marcas valiosas como a Pintarolas, Allegro, Pantagruel e Jubileu. Após 20 anos desaparecida de confeitarias e quiosques, a caixa de furos da Regina reapareceu há cerca de um mês, estreando-se nas lojas da Vida Portuguesa de Catarina Portas, como é conveniente a um produto vintage, ressuscitado no âmbito de uma estratégia de retromarketing.

As melhores expectativas da Imperial apontavam para que no primeiro ano se fizessem três milhões de furos (a 80 cêntimos cada, dando sempre direito a um chocolate diferente, de acordo com a cor da bola que sai) nas cinco mil máquinas, equipadas com uma cartela recarregável, que planeava distribuir pelo país. Ora sucede que já foram recebidos na Azurara mais de 20 mil pedidos de caixas de furo da Regina, que já vai em 85 mil fãs no Facebook.

“É um fenómeno. Não estávamos preparados para tamanha procura”, diz Manuela Tavares de Sousa, a presidente executiva da Imperial, onde trabalha há 24 anos, desde que acabou o curso de Engenharia na Universidade do Porto.

Até nova ordem, a previsão de furos para 2014 subiu para 11 milhões, pelo que não espanta que as máquinas e os 170 empregados da fábrica de chocolates estejam a trabalhar a todo o vapor, 24 horas por dia, em três turnos, sem ligar aos fins de semana, até porque estamos num dos dois picos (o Natal) e a um trimestre do outro (a Páscoa), que representam, em partes iguais, 70% das vendas em Portugal.

As marcas ajudam. A Pantagruel, com 31% de quota, é líder absoluta no mercado de chocolate de culinária. “Já perdi a conta às pessoas que me contam que a mousse de chocolate não sai boa se não for feita com Pantagruel”, conta Manuela. E que atire a primeira pedra quem nunca comprou um tubo de Pintarolas ou não comeu um guarda-chuva Regina. 

As marcas ajudam, mas não chegam para explicar o sucesso da Imperial. São apenas um dos ingredientes da receita. Importante, mas não único. “Estamos sempre muito atentos às tendências do mercado. Estudámo-las e respondemos. Temos de saber interpretá-las e ser capazes de surpreender o consumidor”, resume a CEO da Imperial, que só no último trimestre lançou no mercado 30 novos produtos - o que ajuda a perceber porque é que a Cotec a distinguiu com o Prémio Inovação 2012.

Uma das novas tendências é o aumento do consumo do chocolate preto, sustentado na divulgação de estudos científicos que confirmam ser rico em antioxidantes e por isso um alimento saudável com lugar cativo numa dieta equilibrada. Interpretando o gosto e procura crescente pelo chocolate preto, a Imperial aproveitou a marca Jubileu para lançar uma tablete com 70% de cacau e surpreendeu o consumidor com duas novas linhas, uma marcada pelo exotismo (morango, lima e pimenta e pétalas de rosa) e outra pela sofisticação (85% cacau, flor de sal, pepitas de cacau caramelizadas) - e apostou em embalagens mais práticas e convenientes , em que as tabletes já vêm divididas em 18 doses e são fáceis de guardar e reutilizar. 

“O consumo de um ou dois quadrados de chocolate preto por dia até é recomendado em regimes de emagrecimento”, conta Manuela, prova provada do que diz, já que é magríssima (mas não excessivamente; como dizia Wallis Simpson, uma mulher nunca é demasiado magra nem demasiado rica), apesar de, por dever do ofício, comer cerca de 15 quilos de chocolate por ano - dez vezes mais do que o consumo médio nacional.

Retrato

A fábrica de chocolates Imperial foi fundada em 1932, mas a sua origem é ainda anterior: remonta aos anos 20, quando um francês produziu chocolate num espaço anexo a uma farmácia de Vila do Conde, uma pequena fábrica chamada Meteor. A Imperial afirmou-se com marcas como a Jubileu, Fantasias de Natal, Pintarolas, Bombokas, Allegro e Pantagruel. Hoje detém também a Regina. As marcas estão em 40 países.



quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Imperial quer liderar mercado moçambicano

A Imperial quer que as suas marcas sejam, a curto prazo, as líderes no consumo de chocolates no mercado moçambicano. Até ao próximo dia 1 de setembro, o maior produtor nacional de chocolates marca presença na 49.ª edição da Feira Agro-Pecuária, Comercial e Industrial de Moçambique (FACIM), no distrito de Marracuene, a 30 quilómetros da capital Maputo.

Além de reforçar o negócio que já mantém no país, a empresa vai também apresentar as novidades para o Natal. Em conjunto com o maior importador e distribuidor de produtos alimentares, a Tropigália, o seu parceiro local, a
Imperial definiu Moçambique como mercado estratégico.

Recorde-se que a África Austral, que integra Moçambique, é o mercado que detém o maior peso nas exportações da
Imperial. Para a edição da FACIM deste ano, foram confirmados mais de 1.800 expositores, dos quais 480 são estrangeiros, oriundos de 20 países. Entre as presenças, contam-se as estreias do Japão, da Suécia, da Itália e da Polónia.

À semelhança de outros anos, a
Imperial vai ainda marcar presença noutras feiras internacionais do sector alimentar. São exemplos disso, a Anuga, em Colónia, na Alemanha, em outubro; a SIAL Middle East, em Abu-Dhabi, ou a FHC China, em Xangai, ambas em novembro. No início deste ano, as marcas da Imperial já estiveram representadas no SISAB (Lisboa), na SIAL China (Xangai) e na feira dos produtores de marcas de distribuição Private Label Manufacturers Association (Amesterdão).
 
 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O Equador sabe a chocolate no coração de Lisboa

Birras (pauzinhos de pipocas com chocolate), bombons, sombrinhas, cacos (pedacinhos de chocolate partidos que se vendem a peso), coloridos macarons e um mundo de mais doçuras onde o chocolate é rei incontestável. Da invicta até Lisboa, eis a chocolataria Equador.

Num ambiente acolhedor temperado com tons quentes e luz intimista, celebra-se o cacau e o design português de outras épocas e surgem a cada vitrine, expositor ou prateleira as tabletes e bombons em combinações variadíssimas que comprovadamente despertam a curiosidade e a vontade de apurar os sentidos. Dos mais exóticos – com caril, pimenta branca, pimenta rosa, gengibre, chili ou góji –, aos que celebram a lusofonia com vinho do Porto ou ginja (sabor especialmente concebido para vender em Lisboa) e aos sabores mais convencionais – como noz, amêndoa ou laranja. Ou ainda esses irresistíveis franceses, alinhados numa palete colorida, os macarons.

De origem bem portuguesa, tendo aberto a primeira loja no Porto em 2010 e a segunda em 2012, a chocolataria Equador homenageia no seu baptismo o eixo que no imaginário do mundo atravessa destinos de onde chega a divina matéria-prima utilizada na confecção do chocolate. Do Brasil, Equador, Cuba e Madagáscar vem o "melhor cacau" que depois chega às mãos dos mestres chocolateiros Miguel Tendim e Rui Costa à fábrica em Leça do Balio, Matosinhos. Nascida do amor entre Teresa Almeida, escultora, e Celestino Fonseca, designer, e da paixão de ambos pelo chocolate, a Equador decidiu estender as suas obras até à lisboeta Rua da Misericórdia.

É que a fama já corria o país e não faltavam lisboetas a desejar um Equador na capital. Como o Luís, que nos conta que sempre que ia ao Porto voltava carregado com tabletes de chocolate de leite com arroz tufado. Luís e outra fã da marca, a Isabel, conheceram Celestino numa das suas idas à chocolataria e convenceram-no, por fim, a abrir uma loja oficial em Lisboa. O desafio foi aceite e o resultado, diz-nos Concha Valente – directora da chocolataria lisboeta e amiga dos proprietários da loja de Lisboa, Isabel e Luís –, não podia ser melhor. “Já havia pessoas em Lisboa que conheciam a marca e os que não conheciam rapidamente se foram apaixonando”, porque apesar de a publicidade ser “boca-a-boca”, “quando o produto é bom a mensagem passa” e esta característica tem sido a “melhor aposta de marketing”.

São muitos os que aqui vão entrando pela curiosidade despertada pela montra e entrada. Até porque quando ali passámos, brilhava o espírito natalício graças às decorações inspiradas na aldeia idílica da marca, a Vila do Lago, com casinhas e árvores feitas de chocolate negro com pimenta rosa cobertas de neve de açúcar em pó e com os guardiões de mundo da fantasia, os soldados quebra-nozes.

Agora, lisboetas e também muitos turistas não faltam a esta “festa do chocolate” que consegue deslumbrar com o seu acolhedor ambiente retro. Numa atmosfera e design inspirados nas décadas de 1940-50 com um toque de modernidade,  aprecia-se o café (próprio para degustar chocolate assinado pela parceria da chocolataria com a marca de café portuguesa Torrié) com um bombom, uma trufa ou um macaron por preço de menu (1,80€) ou saboreaia-se um cremoso chocolate quente (2€). Como confirma Concha, as pessoas gostam deste tipo de espaços. E podem “fugir à dieta” de vez em quando sem se sentirem culpadas como se em vez de um macaron ou um bombom tivessem comido um bolo. 

E qual é o segredo da marca? Concha responde sem hesitações: “a qualidade do chocolate”. A ajudar, o facto de ter produtos e espaços “visualmente apelativos” e um “serviço e atendimento de qualidade” a partir do qual, segundo explica, procuram “tratar cada cliente de forma especial e dar-lhe toda a atenção”. Ajuda ainda o facto de terem “produtos para todas as carteiras”, refere Concha.

A chocolataria produz por mês cerca de 1500 kg de chocolate. A loja de Lisboa é abastecida todas as semanas de tabletes, sombrinhas e trufas produzidos em Leça do Balio por Miguel Tendim e a sua equipa de mais três pessoas. Já os bombons e, especialmente, os macarons (produzidos pelo mestre chocolateiro Rui Costa) têm de ser repostos várias vezes por semana porque, como conta Concha “os clientes são viciados em macarons” (como comprovámos, é de facto difícil resistir a uma palete bem colorida destas deliciosas criações).

Aos produtos desta chocolataria e às madeiras rústicas, prateleiras de frasquinhos e montras coloridas sobre o chão de pedra, com tantos anos quantos tem o edifício, juntam-se pequenas aventuras vividas na ficcionada Vila do Lago, narradas por Álvaro e ilustradas por Celestino, num design retro reinterpretado, impressas em postais que acompanham as caixas de bombons e trufas. São as aventuras vividas por Álvaro e Joana durante as férias escolares passadas em família na Quinta da Eira, na Vila do Lago. Os dois primos divertem-se durante a apanha da castanha ou das amoras que depois vão trazer inspiração ao seu tio cozinheiro que vai misturando estes ingredientes às suas tabletes de chocolate. É dessas aventuras imaginárias que “nasce” o chocolate que a loja celebra, envolvtas em papel castanho com diferentes estampados e cores terra. Aventuras que a Chocolataria Equador pretende passar para livro para depois organizar histórias ao vivo nos fins-de-semana da chocolataria.

Nos planos, estão ainda a produção de chocolates sem açúcar, parcerias com hotéis e teatros e a abertura de novas lojas – “para já” em Lisboa. Entretanto, é aproveitar eventos como as planeadas provas de chocolate com vinho do Porto, matéria em que já têm experiência, uma vez que têm uma parceria com as caves Ramos Pinto, onde também têm as suas produções, no âmbito da criação do seu chocolate negro com vinho do Porto. A aventura passa também por alargar estas experiências a vinhos de mesa e muitas outras combinações. É que “um bom chocolate vai bem com tudo”, garante Concha.