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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Produtos de Trás-os-Montes entram em força em Angola e Brasil



No mercado angolano, a aposta é uma rede de supermercados, o primeiro dos quais vai abrir em breve em Luanda; no Brasil são 250 padarias portuguesas.

Vinhos, azeites, enchidos, queijos – os produtos de Trás-os-Montes e Alto Douro preparam-se para entrar em força nos mercados de Angola e do Brasil, num projecto de internacionalização impulsionado pela Rota do Azeite. O primeiro passo será a abertura, prevista para Agosto, de um supermercado com a marca PITER (produtos de identidade territorial) em Luanda.

O espaço, explicou ao PÚBLICO Jorge Morais, presidente executivo da Rota do Azeite, incluirá, para além do supermercado onde 90% dos produtos são da região, uma cafetaria, uma agência de viagens e um centro empresarial com gabinete de consultoria nas áreas de contabilidade e serviços jurídicos, que apoiará os empresários que queiram investir em Angola. Tudo possível graças à parceria com um sócio angolano, ligado ao sector do turismo e à área alimentar, que arcou com todo o investimento – 2,5 milhões de euros nesta fase inicial.

A ideia é que a partir daqui surja uma rede destes supermercados em todas as províncias de Angola, e que depois esta se alargue a outros países de África Austral, sempre com o mesmo sócio, com o qual existe um contrato de exclusividade para este alargamento.

Mas se o projecto angolano é o que está mais avançado, muito em breve também o estado 
de São Paulo, no Brasil, receberá os produtos de Trás-os-Montes e Alto Douro. No caso brasileiro a abordagem foi diferente, afirma Jorge Morais. “O Brasil era para ser o projecto-piloto da nossa estratégia de internacionalização. Mas fomos confrontados com a burocracia brasileira a nível do licenciamento de alguns dos produtos”.

Se o vinho ou o azeite não representam problema, o mesmo não acontece com produtos como os queijos ou os enchidos – e é preciso não esquecer que um dos grandes trunfos da região é, precisamente, a alheira de Mirandela e todos os produtos de fumeiro. Para além do custo de licenciamento de cada rótulo, incomportável para produtores de menor dimensão, há ainda o problema dos prazos longuíssimos necessários para obter esses licenciamentos.

Apesar disso, através de parcerias com empresas importadoras já estabelecidas no Brasil, o projecto vai avançar, e prevê a colocação dos produtos de Trás-os-Montes e Alto Douro em 250 lojas da região de São Paulo. A grande aposta do PITER é a diáspora, e sobretudo a diáspora transmontana. Acontece que o presidente da Associação de Padarias do Estado de São Paulo é um transmontano. “Foi esse o canal que nos permitiu chegar às padarias portuguesas, que são 24 mil. Vamos agora abrir um concurso para, entre estas, escolher 250 que possam funcionar como postos de venda e showrooms”, explica o responsável da Rota do Azeite, sublinhando que existe também uma parceria com um banco português que financiará as padarias interessadas.

O grande objectivo é a promoção dos produtos de Trás-os-Montes e Alto Douro não só nestes dois países, mas noutros que estão a ser estudados. Mas “à boleia” dos produtos transmontanos poderão ir outros, de diferentes regiões. Segundo Jorge Morais, existe já uma parceria com A Poveira, empresa de conservas da Póvoa do Varzim, sendo que a única condição para que as conservas possam fazer parte deste pacote é utilizarem azeite transmontano.

O mesmo acontece com a parceria estabelecida com os fabricantes de chocolate da Casa Grande, que estão neste momento a desenvolver um bombom com o azeite de Trás-os-Montes. Outro produto em estudo é um chocolate com mel do Moxico, Angola, cuja cooperativa é presidida pelo sócio angolano da Rota do Azeite.

Para além dos produtos de maior visibilidade, a Rota do Azeite – que une 15 concelhos da região e integra as Rotas do Douro, juntamente com a do Vinho do Porto e das Vinhas de Cister – vai ainda comercializar em Angola, Brasil e outros futuros mercados, azeitonas, amêndoa e outros frutos secos, cogumelos e ervas aromáticas. Parceira fundamental de todo este processo é a Confraria de Enófilos e Gastrónomos de Trás-os-Montes e Alto Douro, entidade que certifica a qualidade dos produtos, através da atribuição de um selo da Confraria, depois de uma avaliação feita por prova cega.

Para além dos projectos em curso, a PITER está já a preparar a presença em feiras internacionais em 2015, apostando em quatro ou cinco países europeus, e tem entre os seus planos a organização de um festival anual da Alheira de Mirandela em Luanda.

Retalho português em Angola

Há muito que Portugal marca presença no mercado de retalho angolano. O Grupo Teixeira Duarte está no negócio da distribuição alimentar naquele país desde 1996, aproveitando a liberalização do comércio, antes controlado e detido pelo Governo. Através da sua empresa, a CND, detém a grossista Maxi e as lojas Bom Preço.


Fonte: Publico

terça-feira, 8 de julho de 2014

Exportadores de Mirtilo otimistas com futuro da fileira

Exportadores e empresários de mirtilo reuniram-se na passada 6a feira na Feira do Mirtilo.
Empresas de diversas dimensões e com diferentes posicionamentos no mercado que se dedicam à comercialização e produção de mirtilo, oriundas das diversas regiões do país, analisaram a atual campanha de produção e discutiram estratégias de médio e longo prazo para a fileira dos pequenos frutos.

Foi unânime a opinião de que existe uma procura internacional semelhante à dos anos anteriores, o que tem assegurado o normal escoamento da produção. Alguns empresários afirmaram mesmo que já não têm mais produto para venda. Referiram que, na presente campanha, os preços voltaram a rondar os preços médios das campanhas de anos passados. Alertaram, contudo, para o caráter excecional dos preços praticados na campanha de 2013 (ano em que foi batido o respetivo recorde) pelo que tais valores não devem ser tomados como referência.

A garantia da qualidade, a certificação dos produtos e o apertado controlo de custos são condições básicas para o sucesso deste negócio. Foi sublinhado, ainda, que se trata de um negócio exigente, que obriga a uma atitude pautada pela dedicação, responsabilidade e profissionalismo. “A cultura comercial do mirtilo não é um hobby de fim-de-semana: quem assim pensar não vai ganhar dinheiro e, como acontece com qualquer hobby, vai ter que pagar para dele desfrutar”, sublinhava um agente comercializador.

Foi manifestada a vontade dos exportadores presentes em continuar a trabalhar com os produtores de uma forma organizada, de modo a que tal parceria se possa traduzir num maior poder negocial, que traga benefícios para todos os intervenientes.

Esta reunião, promovida pela Agim – Associação para os Pequenos Frutos e Inovação Empresarial, com sede em Sever do Vouga, foi aberta aos produtores e caracterizou-se por uma elevada participação, originando um interessante e vivo debate, cujas conclusões terão, certamente, impacto no futuro do negócio.

“Uma coisa é certa: não há outra atividade no setor frutícola tão rentável como a dos pequenos frutos”, rematou, em jeito de conclusão final, um dos maiores comercializadores do norte de Portugal.


Fonte: AGIM / Agrotec

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Conservas ultrapassam cerveja e tornam-se terceiro maior exportador

No ano 2013, a exportação de conservas de peixe ultrapassou a da cerveja, que perdeu assim do terceiro lugar no setor agrícola e alimentar, a seguir ao vinho e ao azeite. Enquanto as vendas de produtos conservados crescerem 15,6%, na cerveja houve uma queda de 14,6%.

A cerveja deixou de ser, em 2013, o terceiro produto mais exportado do setor agroalimentar, dando lugar às conservas, que se seguem agora ao vinho e azeite portugueses.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística a que o Público teve acesso, a exportação de cerveja caiu no ano passado 14,6%, para um valor de 199,6 milhões de euros, representando 3,9% das exportações do setor.

Já as preparações e conservas de peixe subiram na tabela, do quarto para o terceiro lugar, com o incremento nas vendas de 15,6%. Estes produtos foram, em 2013, responsáveis por 4% das exportações do setor da agricultura e alimentação, com as vendas a atingir os 206 milhões de euros.

A maior subida na tabela tinha-se registado em 2012, ano em que as conservas portuguesas subiram do oitavo para o quarto lugar.


Água Castello quer crescer 5% este ano em Portugal e no estrangeiro

A Água Castello, que produz anualmente 25 milhões de garrafas de água com gás a partir de Moura, Alentejo, quer crescer 5% este ano nos mercados interno e externo e aumentar de 25 para 30/35% o peso das exportações até 2016.

"O objetivo para 2014 é de um crescimento de 5 a 6% do volume de vendas. Mais do que a faturação, o importante é crescer em termos de volume e em número de pontos de venda nos países onde já estamos a trabalhar", afirmou o diretor-geral da empresa, Jorge Henriques, em entrevista à agência Lusa.

Atualmente com um peso de 25% na produção da marca, a exportação tem, na sua opinião, "um grande espaço para crescer", nomeadamente na Ásia e na América Latina, em países como o Brasil, a Colômbia e a Argentina.

"Na Ásia trabalhamos há muitos anos com Macau e Hong Kong e, a partir daí, queremos procurar atingir algumas pequenas regiões da China para corresponder aos pedidos e solicitações que temos tido, mas estamos ainda numa fase de consolidação desta operação", avançou Jorge Henriques.

A este propósito, o responsável recordou que a Castello "trabalha exclusivamente vidro", que apresenta custos de transporte acrescidos, e opera "em mercados altamente competitivos, com todos os grandes 'players' do mercado das águas a nível mundial e numa concorrência absolutamente desigual", dada a sua reduzida dimensão.

Por outro lado, assume como estratégia para os mercados externos apenas "trabalhar onde tiver um parceiro para a distribuição".

Ainda assim, até 2016 a empresa de Moura propõe-se aumentar para 30 a 35% o peso das exportações no volume total da produção, confiando para tal "nas gamas de Castello e de Água Castello Finna que está atualmente a trabalhar nos mercados externos, assim como as embalagens de 0,75 que a marca lançou há cerca de quatro anos no mercado interno e que tem vindo a consolidar nos mercados externos".

De acordo com Jorge Henriques, a América do Norte é o principal mercado de exportação da marca, seguido pela África e pela Europa.

"Temos uma presença de décadas sobretudo nos Estados Unidos da América, que representam hoje quase 50% do total das exportações, e no Canadá", referiu, acrescentando que o "segundo grande mercado" da Água Castello é, atualmente, Angola.

A marca portuguesa, que este ano comemora 115 anos, tem ainda "uma presença muito forte" em Cabo Verde, na Guiné-Bissau, em S. Tomé e em Moçambique, mas, no continente africano, tem sido Angola que "mais tem crescido nos últimos anos".

"No ano passado Angola registou um crescimento de quase 33% e representa praticamente 30% das exportações da marca", notou o diretor-geral, acrescentando que a marca "não descura", contudo, "países como Cabo Verde, que são um ponto de referência desde há muitas décadas e que estão em consolidação e crescimento permanentes".

Já na Europa, a Água Castello foi acompanhando os movimentos da emigração portuguesa, tendo atualmente presença em França, no Luxemburgo e na Suíça e estando a fazer "algumas tentativas para recolocar a marca em países como a Alemanha, que é um grande consumidor de água com gás".

Apesar da aposta assumida nas exportações, a Água Castello continua a encarar Portugal como o seu "grande mercado", responsável por 75% das vendas.

"Tal como na exportação, no mercado interno esperamos crescer 5% este ano, face a 2013, pensando numa recuperação do canal HORECA [hotelaria, restauração e cafetaria] que já vem a sentir-se desde o 2.º semestre de 2013, depois da grande dificuldade sentida em 2011 e 2012", afirmou Jorge Henriques.

"Estamos esperançados que, depois de o mercado ter batido no fundo, comece agora a estabilizar, como apontam os indicadores que temos vindo a receber do mercado, com a atividade económica a melhorar consecutivamente, de uma forma ténue, mas já expressiva em algumas regiões do país", acrescentou o empresário.

Com uma produção anual superior a 25 milhões de garrafas, a Água Castello emprega diretamente 30 pessoas na sua fábrica em Pisões, Moura, sendo ainda responsável por 100 empregos indiretos em permanência, já que toda a logística da marca está externalizada.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

China: maior consumidor mundial de vinho tinto cada vez mais adepto do vinho português

Artigo do Jornal Mundo Português

Sabores portugueses vão estar à prova na Rússia

Vinte e cinco empresas portuguesas da indústria agro-alimentar vão mostrar os seus produtos em Moscovo, na principal feira russa do sector, a Prodexpo, entre 10 e 14 de Fevereiro, numa participação colectiva apoiada pela Portugal Foods.

«A presença portuguesa neste evento insere-se no âmbito do plano de acções de internacionalização da PortugalFoods e tem como objectivo consolidar a posição dos produtos e das empresas nacionais na Rússia, país que importa cerca de 40 por cento do total dos produtos alimentares consumidos», adianta a Portugal Foods num comunicado.

Segundo esta organização, direccionada para a inovação e internacionalização do sector agro-alimentar nacional, prevê-se um crescimento anual do retalho de bens alimentares de 20,5 por cento na Rússia.

A participação portuguesa no certame, considerado o maior e mais importante de toda a Federação Russa e Leste Europeu, que teve apenas cinco empresas no passado, conta este ano mais 20.

Em 2013, a Prodexpo foi visitada por mais de 50 mil profissionais do sector e teve na mostra 2.309 empresas, 915 das quais internacionais.

As empresas que integram o espaço da PortugalFoods na Prodexpo são: A Poveira, Cister, Chocolame, Cooperativa Agrícola de Mangualde, Dan Cake, Du Bois de La Roche, Frubaça, Frueat, Imperial, Nobre, Novarroz, Olivais do Sul, PortugalFresh, Quinta Boeira, Vizelpas, Vhumana, Derovo e, sob a designação Porto Union, Cerealis, José Maria da Fonseca, Lactovil, MMC – World, Olivari, Primor, Sumol+Compal e Vieira de Castro.

A Porto Union representa a união de produtores portugueses que já operam no mercado russo. No primeiro dia da feira, a ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas, celebra um protocolo entre a PortugalFoods e a sua congénere russa Rusprodsoyyuz, com vista a fortalecer as ligações entre os dois países, identificar áreas de cooperação no comércio e no investimento de promoção e estimular actividades de negócio.

Os principais importadores e distribuidores russos foram convidados para participar, no mesmo dia, num jantar de negócios com os empresários portugueses, promovido pela Portugal Foods e pela Associação Portuguesa de Turismo de Culinária e Economia (APTCE).


Fonte: Lusa / Confagri

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Merendas portuguesas a caminho de Angola e dos EUA

Há uma nova ideia de negócio portuguesa prestes a atravessar fronteiras e a conquistar novos mercados. Desta vez é a cadeia de restauração Merenda Portuguesa que espera abrir cinco novas unidades em 2014 e tem vindo a receber manifestações de interesse para expandir o conceito para Angola e para os EUA.
 
Detida pela empresa Menu Pão, a mesma dispões de diferentes tipos de refeição à base de pão. A ideia surgiu, em 2012, tendo em conta a "necessidade de as pessoas terem uma refeição prática, que possa ser entregue no trabalho e onde o pão seja o prato e o acompanhamento".
 
Paulo Cruz, diretor da marca, decidiu pô-la em prática logo no ano seguinte, tornando esta aposta em refeições tipicamente portuguesas numa patente registada. Em Novembro de 2013, o investimento, que rondou os 100.000 euros, resultou na abertura de uma unidade do Centro Comercial Colombo, em Lisboa.
 
A mesma conta, atualmente, com 12 trabalhadores, mas o plano de expansão da empresa para 2014 prevê a abertura de cinco novos espaços, num investimento de 600.000 euros que irá possibilitar a criação de 12 postos de trabalho.
 
"A expectativa era ter duas a três lojas próprias e depois avançar para o franchising", conta o responsável à Lusa, acrescentando que a empresa está a preparar um dossiê que sirva de base aos futuros franchisados. Neste momento, há "interessados para três unidades no Norte do país, como também no Algarve" e ainda manifestações de interesse para alargar o conceito "para os EUA, nomeadamente Washington e Angola".
 
Para já, "o objetivo imediato passa por consolidar a unidade do Colombo", até porque a Menu Pão, apesar de querer exportar o negócio, tem como prioridade de aposta no mercado português.
 
Segundo as estimativas da empresa, a faturação de uma unidade Merenda Portuguesa deverá rondar os 400.000 a 450.000 euros no final de um ano de operação. "As nossas perspetivas são de que, ao fim de três meses, se atinja um número de vendas que permita começar a rentabilizar o negócio".
Conheça melhor a 'Merenda Portuguesa' AQUI.
 
 

domingo, 26 de janeiro de 2014

Adega de Reguengos investe em grande e ataca exportação

Depois de concluída a modernização da adega em Reguengos de Monsaraz, o projecto avança na área do enoturismo
 

Chama-se Carmim, como a cor vermelho vivo extraída das uvas, mas já não se dedica só ao tinto. Nem ao vinho. Para optimizar recursos, a empresa de Reguengos de Monsaraz está a alargar o seu portefólio e vai passar a distribuir gin, vodka, champanhe, porto e outras bebidas. Mas não só. 

Longe vão os tempos em que 12 produtores descontentes com o preço que lhes era pago pelas uvas decidiram juntar-se e fundar uma adega cooperativa. Hoje são mais de 1000 sócios, nas áreas da vitivinicultura, da olivicultura, da ovinicultura e também da produção de cereais, e a cooperativa adoptou uma gestão empresarial moderna, reforçada pelas recentes aquisições da Monsaraz Vinhos, para o mercado interno, e da Enoforum, para o mercado internacional.

Actualmente para vender vinho – ou para vender o que quer que seja – é preciso ter jogo de cintura. E foi isso que o grupo Carmim pretendeu ganhar. Em 2008 iniciou um projecto de investimentos ao abrigo do Proder – Programa de Desenvolvimento Rural e, a uma média de um pouco mais de um milhão de euros por ano, foi modernizando a adega, o armazém e a distribuição.

O presidente do grupo Carmim, Manuel Murteira, resume a história: “Foi uma mudança de filosofia completa, as pessoas não estavam preparadas para isso. Tínhamos dez ou doze distribuidores e agora temos 6 mil e tal clientes”.

O investimento veio precisamente na altura em que chegou a crise. “Começámos a ter dificuldade nas cobranças, alguns clientes não pagavam, quando se ia lá na vez seguinte já tinham fechado portas, se não pagava não podíamos deixar mais vinho... Uma confusão”, conta.
Manuel Murteira, que também produz uvas e é sócio da cooperativa, lembra que “há muitas famílias inteiramente dependentes do desempenho da Carmim”. Por isso era preciso ultrapassar alguns constrangimentos de gestão.

Depois da compra da Monsaraz Vinhos, a distribuidora para o mercado interno, foi a vez de olhar para o mercado internacional, o que levou à aquisição, em 2011, da Enoforum, que tem como objectivo abrir portas nos mercados externos.

A Monsaraz Vinhos já está paga, mas ainda falta amortizar uma prestação da Enoforum, que custou 1400 euros e que ficará paga no final deste ano, como previsto no contrato de compra/venda.
“A ideia é que as duas empresas comerciais sejam cada vez mais empresas de portefólio alargado e distribuam nos canais onde vendem vinho outros produtos do grupo Carmim”, afirma Manuel Murteira.

O objectivo é optimizar recursos e diluir custos, diz o presidente da Carmim. “A electricidade vai aumentar, o gás vai aumentar e, se não pagarmos, os fornecedores cortam. A sociedade Ponto Verde cobra uma taxa obrigatória para recolher isto e aquilo, mas é de lei, não podemos recusar. No entanto, se aumentarmos o preço do vinho proporcionalmente desata tudo a barafustar ou deixa de comprar, porque não vendemos por decreto”.

Assim, a Carmim passa a ter sob a mesma chancela, além dos vinhos produzidos na sua adega cooperativa, produtos como vinho do Porto, marca Pátria, Alvarinho, vodka da Lituânia, gin da Estónia, cachaça do Brasil, brandy, rum, tequilha, espumante e até água.

Estas parcerias estabelecidas com outros produtores têm, sempre que possível, uma contrapartida. No caso do vodka e do gin, os vinhos da Carmim passam a ter a entrada facilitada no Báltico, por exemplo. “Estas parcerias são também tentativas de abrir portas em mercados que nos são mais difíceis e têm funcionado bem. Nós apoiamos as marcas nos mercados em que somos fortes, por exemplo em Angola e no Brasil, e eles dão-nos mercados onde têm maior sensibilidade, como o Leste europeu ou Israel”, explica Manuel Murteira.

O director geral da Enoforum, Delfim Costa, tem um papel importante na selecção destas bebidas. “Passamos seis ou sete meses em viagem e acabamos por conhecer toda esta gente. Só para ter uma ideia, conhecemos os produtores do vodka lituano no Vietname, onde estivemos numa feira lado a lado. Eles passaram o dia a beber os vinhos da Carmim, e eu a beber o vodka deles”.

As coisas correram tão bem que os responsáveis da empresa lituana – que tem na Lituânia a maior fábrica de vodka do mundo –  já estiveram nas instalações de Reguengos a dar formação aos comerciais do grupo. “Estamos muito satisfeitos, foi uma parceira fácil de construir porque houve muita vontade de ambas as partes”, diz Delfim Costa.

Este ano a Enoforum terá ainda mais trabalho. É que o objectivo é que as vendas no mercado internacional, que já representam 25% da facturação do grupo, dupliquem em 2014.
Actualmente, a Enoforum já exporta para cerca de 35 países e tem perto de 120 clientes. Os principais compradores estão em Angola, no Brasil, no Polónia, na Rússia, em França, nos Estados Unidos da América e na China. Mas há mercados sui generis. Delfim Costa sabe isso melhor do que ninguém. “Uma empresa pode ter uma posição muito boa no mercado russo. De repente, o governo daquele país – e já fez isto várias vezes nos últimos anos –, decide mudar os selos das garrafas mas não os coloca à venda no mercado. Durante seis meses, ninguém pode importar nada, o que significa que perdemos seis meses de vendas. No Brasil, uma greve dos portos três meses dá cabo da vendas”, exemplifica. E isto são situações reais.

O modelo básico de funcionamento da Enoforum é com importadores locais. As excepção vão para Xangai, onde existe um escritório há dois anos, e em Singapura, onde foi constituída uma empresa em Julho. Nos dois casos existe pessoal português e local.
“É preciso ter uma gestão muito táctica”, afirma Manuel Murteira. E, como disse antes, não há muita margem de manobra. Pelo menos do lado da receita. Para a Carmim, produzir uma garrafa de vinho teve, em 2013, um custo de 75 cêntimos – rolhas, garrafas, electricidade, águas, etc. Só a partir deste valor é que a empresa começa a ganhar dinheiro.

Azeite E e no turismo O grupo Carmim também produz azeite. “Este é um sector muito difícil para nós, com as variações que tem havido ao longo dos anos”, confessa Manuel Murteira.
A cooperativa passou dos cerca de 500 mil quilos de azeite por ano recepcionado para cerca de 2,5 milhões. “Temos uma estratégia para vender uma determinada quantidade e estamos estruturados para isso. No caso dos vinhos sabemos que a produção ronda os 20 milhões de quilos por ano, que são cerca de 15 milhões de litros de vinho, e, em casos pontuais e de acordo com as parcerias que vamos estabelecendo, vamos adquirir vinho a outras regiões para optimizar as vendas. No caso do azeite isso também poderá ser feito, mas gostaríamos de poder ter mais alguma garantia”, diz.

Os 2,5 milhões de azeitona representam cerca de 300 mil litros de azeite, ou seja, exigem uma postura diferente perante o mercados. “Somos demasiado pequenos para determinadas acções mas, por outro lado, demasiado grandes para outras. Ou estamos em nichos de mercado onde se pode vender o azeite muito caro ou temos de vender grandes quantidades para diluir os custos e optimizar ganhos”.

A questão, afirma o presidente da cooperativa, é que “neste momento estamos no meio termo e, forçosamente, vamos ter de fazer alguma coisa e está previsto fazê-lo através da Enoforum, no mercado externo. Muito provavelmente vamos ter de fazer com os azeites o mesmo que estamos a fazer com os vinhos e restantes bebidas, provar de outros, comprar, estabelecer parcerias”, avança.

“O azeite está na moda, faz bem à saúde e sabemos que este segmento é uma necessidade imperiosa e também um desafio. Está com uma tendência de crescimento positiva e, ao mesmo tempo, seria uma forma de dar resposta e garantir a sustentabilidade das explorações dos associados, que são muitos na secção olivícola e dependem disso, embora muitos deles tenham vinha além do olival. Sentimos que temos esta responsabilidade, desenvolver este projecto de uma forma determinante”, afirma Manuel Murteira.

Outra área muito importante para o grupo e uma das prioridades é a do enoturismo. A Carmim adquiriu o antigo matadouro de Reguengos de Monsaraz  à câmara municipal e quer transformar as instalações, ainda com vestígios muito acentuados da actividade para a qual foram criadas, num espaço para realizar eventos e receber visitante, nacionais e estrangeiros.
“A Carmim está inserida numa localização que eu diria estratégica dentro do Alentejo, com o envolvimento de Monsaraz e do Alqueva. Este seria o salto em  frente, o passo definitivo”, acredita Manuel Murteira.

“Temos um espaço reservado para o enoturismo, com uma sala com capacidade para 200 pessoas, onde realizamos diversos eventos, de baptizados a festas de empresa e de Natal. Temos um serviço de catering, mas não temos condições para nos manter abertos todos os dias, incluindo sábados, domingos e feriados”, explica.

Monsaraz recebe todos os dias milhares de visitantes, cerca de 35 a 45 mil pessoas por mês. Manuel Murteira sabe que o Alentejo “está na moda” e não quer desperdiçar esta oportunidade. No entanto, precisa de capital para avançar e está à espera de receber cerca de 1 milhão de euros do Proder, que deveriam ter sido pagos até ao final de 2013 no âmbito da compra da Enoforum, mas que ainda não chegaram. Só que a Carmim já avançou o dinheiro da terceira prestação da compra e está sem fundos. 

A este propósito, o presidente do grupo Carmim lembra o descabimento do preço do dinheiro. “Em termos de juros, o que se pagava há cinco anos atrás, antes da crise, era uma brincadeira, conseguíamos dinheiro a um juro de cerca de 0,5%. Com a crise esse dinheiro começou a custar 6,5% e agora, que as coisas estão a melhorar um pouco, os juros já estão nos 4,5%. Mas é para nós, porque há empresas que não conseguem financiamento a preço nenhum”.

A par do projecto de enoturismo, existe também a intenção de expandir a rede de lojas do grupo, a Castas e Castiços. Actualmente, conta com uma loja em Monsaraz, outra em Reguengos e uma terceira em Arraiolos. O objectivo é alargar a rede a outras zonas do país e talvez mesmo lá fora.
“Ainda não demos esse passo fruto dos investimentos que temos tido a nível tecnológico, na adega. Estas coisas vão ficando para o fim”. O projecto de enoturismo já foi iniciado e é estratégico, mas tem sido preterido em função daquilo que é o core business da Carmim, vender vinho. “Mas temos grandes planos para o espaço do antigo matadouro, como a exposição de vinhos, de azeites, o projecto de restauração e um museu interactivo, vivo, em termos de multimédia”, garante o presidente do grupo. A execução começará “logo que existam condições financeiras e vontade, da direcção e dos associados. Acredito que durante o segundo semestre deste ano possamos começar a fazer alguma coisa e dar o salto em frente”.

Fonte: ionline

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Falta de procura interna obriga indústria a exportar arroz carolino

Arroz carolino é a espécie mais produzida e característica de Portugal, mas não a mais consumida. Stocks chegaram a atingir as 50 mil toneladas, o equivalente a metade do consumo anual no país.

Do Porto de Setúbal vai sair, nesta sexta-feira, um navio carregado com 15 mil toneladas de arroz carolino em casca em direcção à Turquia, uma operação que juntou três grandes empresas do sector (Novarroz, Valente Marques e Orivárzea) e que vai permitir aliviar os elevados stocks deste produto. 

É que, de acordo com as estimativas da Associação Nacional dos Industriais de Arroz (ANIA), até Novembro estavam armazenadas cerca de 50 mil toneladas de arroz carolino, o suficiente para satisfazer metade do consumo anual em Portugal. E sem clientes no mercado nacional — que prefere a variedade agulha ao tradicional carolino — vender para fora foi a única opção da indústria.
Pedro Monteiro, secretário-geral da ANIA, avançou ao PÚBLICO que o problema do excedente de produção já foi minimizado graças a esta venda, mas não resolve, a longo prazo, as dificuldades da indústria. É preciso pôr os portugueses a comer arroz carolino, o mais adequado ao clima nacional e com forte presença na tradição gastronómica. Ao mesmo tempo, a intenção é adequar a produção aos novos hábitos de consumo, diminuir a área destinada ao carolino e aumentar a da variedade agulha, que até 2007 representava entre 9 a 17% do total da área semeada, segundo dados do Gabinete de Planeamento Políticas do Ministério da Agricultura.

A Casa do Arroz, uma organização interprofissional criada em 2012, também quer avançar com uma campanha de sensibilização, que envolve verbas de cerca de dois milhões de euros, para “explicar ao grande consumidor que o arroz carolino tem vantagens”. O projecto foi candidato a fundos do Proder, Programa de Desenvolvimento Regional, mas ainda aguarda luz verde. Nos planos da Casa do Arroz, que foi fundada pela ANIA, a Associação de Orizicultores de Portugal e a Associação Portuguesa de Orizicultores, está ainda o registo da marca “Carolino Portugal” e a presença em feiras internacionais de grande dimensão para divulgar o produto.

Além de reuniões no Ministério da Agricultura, a indústria também já se sentou à mesa com a Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), que está disponível para ajudar a fileira do arroz. “As promoções têm sido feitas quase todas no arroz agulha, o que aumenta ainda mais o consumo desta variedade”, conta Pedro Monteiro. “Com a grande campanha que temos programado, a distribuição alertada para o problema e o aumento das exportações penso que vamos conseguir inverter a tendência”, acrescenta.

Tiago Coelho, da Novarroz, acredita que com as 15 mil toneladas que seguem hoje para a Turquia será possível contornar o problema do excesso de produção. “Durante anos a fileira não planificou bem o consumo e temos de começar a produzir as quantidades adequadas”, alerta.

Para António Madaleno, presidente da Orivárzea (dona da marca Bom Sucesso), o carolino é o arroz nacional. “É o que os nossos agricultores querem e fazem. Também se faz agulha, mas esse não é o nosso arroz”, defende, sublinhando que é “uma aberração comer um arroz de grelos ou de cabidela feito com a variedade agulha”. António Madaleno acredita que este ano haverá equilíbrio entre a oferta e a procura e a exportação conjunta permite dividir os onerosos custos de transporte.

Além desta venda para a Turquia, a própria Orivázea já exporta para Macau, Hong Kong, Brasil, Suíça e Polónia, posicionando-se no segmento de comida para bebés. “A exportação é sempre uma solução importante”, sustenta o presidente da organização, para quem 50 agricultores produzem cerca de 35 mil toneladas de arroz em 5300 hectares, 85% da variedade carolino.

António Madaleno recorda ainda que há 20 anos a variedade agulha (da chamada subespécie Índica) representava cerca de 2 a 3% do consumo nacional, mas a entrada no mercado de um operador de peso, a espanhola Mundiarroz (dona da marca Cigala) veio alterar as regras do jogo. Com uma forte campanha publicitária e concursos populares contínuos atraiu os portugueses para o consumo de arroz agulha.

O sector exporta anualmente pouco mais de 20 mil toneladas por ano, mas as previsões da ANIA para 2014 são optimistas: duplicar este valor. “Os maiores clientes são, sobretudo, o mercado da saudade e os países de expressão portuguesa mas é preciso ir mais além, onde nunca se ouviu falar de arroz português e mostrar que este é um produto de grande qualidade”, diz Pedro Monteiro.

De acordo com os dados mais recentes da ANIA, a produção de arroz envolve 2000 agricultores, numa área global de 30 mil hectares. Na última campanha produziram-se 190 mil toneladas de arroz em casca (100 mil das quais da variedade carolino), o que equivale a cerca de 130 mil toneladas de arroz branco. O volume de negócios soma 60 milhões de euros.

Por ano, são importadas 110 mil toneladas de arroz em película e exportadas apenas 20 mil toneladas. Os portugueses são os maiores consumidores per capita de arroz da União Europeia.


Fonte: Publico