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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Portugal pioneiro no cultivo de choco

Investigadores do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) descobriram como reproduzir a espécie em cativeiro. 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Conservas ultrapassam cerveja e tornam-se terceiro maior exportador

No ano 2013, a exportação de conservas de peixe ultrapassou a da cerveja, que perdeu assim do terceiro lugar no setor agrícola e alimentar, a seguir ao vinho e ao azeite. Enquanto as vendas de produtos conservados crescerem 15,6%, na cerveja houve uma queda de 14,6%.

A cerveja deixou de ser, em 2013, o terceiro produto mais exportado do setor agroalimentar, dando lugar às conservas, que se seguem agora ao vinho e azeite portugueses.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística a que o Público teve acesso, a exportação de cerveja caiu no ano passado 14,6%, para um valor de 199,6 milhões de euros, representando 3,9% das exportações do setor.

Já as preparações e conservas de peixe subiram na tabela, do quarto para o terceiro lugar, com o incremento nas vendas de 15,6%. Estes produtos foram, em 2013, responsáveis por 4% das exportações do setor da agricultura e alimentação, com as vendas a atingir os 206 milhões de euros.

A maior subida na tabela tinha-se registado em 2012, ano em que as conservas portuguesas subiram do oitavo para o quarto lugar.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Pescado - Contaminação por histamina

As biotoxinas marinhas são responsáveis por um número substancial de doenças relacionadas com o pescado.

O envenenamento por histamina é uma intoxicação química resultante da ingestão de produtos alimentares que contenham níveis elevados de histamina. Este envenenamento foi designado, historicamente, por envenenamento por escombroides devido à sua frequente associação com peixes, principalmente, o atum e a cavala.

O envenenamento por histamina é um problema a nível mundial e ocorre em países onde se consome peixe, contendo altos níveis de histamina. É uma doença de carácter benigno; o período de incubação é muito curto (desde alguns minutos até algumas horas) e a duração da doença é curta (algumas horas). Os sintomas mais comuns são cutâneos tais como ruborização facial, urticária, edema, mas o tracto gastrointestinal pode ser também afectado (náuseas, vómitos, diarreia) bem como a nível neurológico (dores de cabeça, formigueiro, sensação de queimadura na boca).

A histamina é formada no peixe post mortem através da descarboxilação bacteriana do aminoácido histidina como se representa na figura 3.4. As espécies mais frequentemente envolvidas são aquelas que apresentam elevados teores de histidina livre tal como as pertencentes à família Scombridae, mas podem estar também envolvidas espécies não escombroides como as pertencentes à família Clupeidae e o mahi-mahi no envenenamento por histamina.

As bactérias que produzem a histamina são algumas Enterobacteriaceae, Vibrio sp., Clostridium e Lactobacillus sp. Os produtores mais potentes de histamina sã a Morganella morganii, Klebsiella pneumoniae e Hafnia alvei (Stratten e Taylor, 1991). Estas bactérias podem ser encotradas na maior parte das espécies de peixes, provavelmente, como resultado de uma contaminação após a captura. Desenvolvem-se bem a 10°C, mas a 5°C a sua proliferação é grandemente retardada e quando a temperatura é mantida sempre abaixo de 5°C nunca há produção de histamina pela M. morganni (Klausen e Huss, 1987). Contudo, formavam-se grandes quantidades de histamina pela M. morganii a temperaturas baixas (0– 5°C) a seguir a uma armazenagem, até 24 horas, a temperaturas mais altas (10–25°C), ainda que a proliferação bactriana não tivesse ocorrido a 5°C ou abaixo desta temperatura.

Muitos estudos são unânimes em afirmar que as bactérias produtoras de histamina são mesófilas. No entanto, Ababouch et al. (1991) detectaram uma produção considerável de histamina em sardinha armazenada a temperaturas <5 de="" e="" histamina="" i="" o="" por="" produ="" referiu="" spreekens="" uma="" van="">Photobacterium
sp. que se podem desenvolver a temperaturas <5 span="">

A M. morganii, a principal bactéria produtora de histamina, desenvolve-se melhor a pH neutro, mas o seu desenvolvimento pode também ocorrer na gama de pH de 4, 7–8, 1. O organismo não é muito resistente ao NaCl, mas para condições óptimas diferentes, o desenvolvimento pode ocorrer até a níveis de 5% de NaCl. Assim, a produção de histamina por este organismo constitui apenas um problema em produtos de pescado ligeiramente salgados.

Deve salientar-se que se houver produção de histamina no peixe, o risco de provocar doença é muito elevado. Esta amina biogénica é muito resistente ao calor pelo que, mesmo que o peixe seja cozinhado, enlatado ou tratado a quente de qualquer outra maneira, antes de ser consumido, a histamina não é destruída.

A prova de que a histamina é a causadora da doença é a maior parte das vezes circunstancial. Altos níveis de histamina têm sido encontrados em amostras implicadas em surtos e os sintomas observados indicam que a histamina é o agente causador. Todavia, a ingestão de um nível elevado de histamina nem sempre provoca a doença mesmo quando é ultrapassado o “nível de risco” (50 mg/100g de atum).

O corpo humano pode tolerar uma determinada quantidade de histamina sem que haja reacção. A histamina ingerida será eliminada no tracto intestinal por, pelo menos, duas enzimas. Estas sào diamina oxidase (DAO) e a histamina N-metiltransferase (HMT) (Taylor, 1986). Este mecanismo de protecção pode ser eliminado se a ingestão de histamina e/ou outras aminas biogénicas for muito elevada ou ainda se as enzimas forem bloqueadas por outros compostos como está representado na figura 3.5.

Outras aminas biogénicas tais como a cadaverina e a putrescina, cuja ocorrência no peixe deteriorado é bem conhecida, podem actuar, consequentemente, como potenciadores de toxicidade histamínica. A inibição do catabolismo da histamina a nível intestinal pode resultar, presumivelmente, num maior transporte de histamina através das membranas celulares e entrar na circulação sanguínea.
A manutenção do peixe a baixa temperatura durante toda a armazenagem constitui a medida mais eficiente de controlo. Todos os estudos parecem concordar que a armazenagem a O°C ou muito próximo desta temperatura limita a formação de histamina no peixe a níveis desprezáveis sendo que vários países têm adoptado regulamentações, determinando os níveis máximos permissíveis de histamina no peixe

Fonte:  FAO

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

DECO Proteste - Peixe: conselhos para comprar e conservar

O peixe fresco deve ser consumido no dia da compra, quando muito no seguinte, desde que guardado no frigorífico. Coloque-o na zona mais fria, nas prateleiras centrais.



Para conservá-lo por mais tempo, terá de recorrer à congelação (1 a 2 meses, nos peixes gordos, 3 a 4 meses, se forem magros). 

Descongele o peixe em função do tipo de cozinhado. Se pretende cozer, não necessita de o fazer: coloque-o diretamente na água da cozedura, o que proporciona maior aproveitamento nutritivo, segurança e rapidez. Noutros casos, o peixe de espessura superior a três centímetros deve descongelar-se na embalagem, na parte de baixo do frigorífico durante algumas horas. 

Se tiver pressa, pode colocar a embalagem em água fria (1 a 2 horas), mas mantenha-a bem fechada. 

Não tente acelerar o processo colocando o peixe diretamente na água, pois perderia alguns dos seus nutrientes. Nunca descongele o peixe em locais quentes (ao sol ou próximo de outra fonte de calor), para não alterar a textura, o sabor e o valor nutritivo.


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Parlamento Europeu apela à obrigatoriedade de indicar a origem de carne e peixe

O Parlamento Europeu (PE) pede que seja obrigatória a rotulagem relativa à origem de todos os produtos de carne ou peixe, com o objectivo de combater a fraude de alimentos.

O plenário do Parlamento Europeu aprovou, com 659 votos a favor, 24 contra e 8 abstenções, uma resolução que visa melhorar o funcionamento da cadeia alimentar, reforçar os controlos e rever as leis de rotulagem.

Mais informação em Finanzas.com (espanhol)

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Família de Sevilha morre intoxicada com peixe doado fora do prazo

Um casal e a filha adolescente morreram, em Sevilha, Espanha, vítimas de uma intoxicação alimentar. Viviam do que recolhiam no lixo e terão ingerido peixe fora do prazo de validade. Uma outra filha, de 13 anos, está internada. 

Enrique, de 61 anos, Concépcion, de 50, e a filha Tamara, de 14 anos, morreram, sábado, vítimas de uma intoxicação alimentar. Sobreviveu Vanessa, a outra filha do casal, de 13 anos, que está internada no Hospital Virgen del Rocío de Sevilha, fora de perigo.

Segundo testemunhos de vizinhos, que falaram ao Diario de Sevilla , a família assegurava a subsistência recolhendo cartão no lixo, que vendia depois, e alimentava-se de comida fora do prazo de validade que lhes era dada por algumas empresas e instituições.

Todos os dias de manhã bem cedo, o casal saía de casa para recolher nas ruas cartão, plástico e roupa velha para vender, contam os vizinhos. Quando conseguiam que lhes dessem uma caixa de sumos ou de tomate demasiado maduro, ofereciam a outras famílias que moravam no mesmo prédio.

A família não estava sinalizada pelos serviços de ação social da autarquia, mas, em outubro, Enrique tinha solicitado apoio dos serviços sociais. Não costumava pedir ajuda e na Cáritas existe apenas um pedido da família, nos últimos dois anos.

Alguns familiares das vítimas mostraram-se desagradados com o facto de os vizinhos terem assegurado que a família retirava do lixo o que comer. De acordo com Mariló Rodríguez, um sobrinho de Concépcion, tratava-se de uma "família bastante normal", ainda que "com problemas económicos, como tantas outras famílias em Espanha".


Enrique era canalizador e estava desempregado, desde o início da crise económica. Tinha outros dois filhos, já maiores de idade de um casamento anterior, um dos quais já se disponibilizou para receber a irmã, de 13 anos, que está hospitalizada, quando esta tiver alta.

O apartamento onde viviam, no rés-do-chão de um prédio de quatro andares, foi tomado pelo banco, há dois anos, mas ainda não havia ordem de despejo.

Familiares acusam serviços de negligência

Os primeiros sintomas que a família sentiu foram vómitos e náuseas. O centro coordenador enviou uma Equipa Móvel do Dispositivo de Cuidados de Urgência de Alcalá de Guadaíra, com um médico, um enfermeiro e um condutor, à casa da família pelas 2.55 horas da madrugada de sábado.

Mais tarde, pelas 9.55 um novo contacto dava conta do agravamento do estado de saúde da família. Quando chegaram ao local pela segunda vez, uma das filhas do casal estava em paragem cardio-respiratória e um dos adultos já em estado muito grave.

Os adultos ainda foram internados, mas acabaram por morrer no hospital. A filha de 13 anos informou os serviços médicos de que jantaram peixe, sexta-feira à noite. "É o único dado que conhecemos para já", María Dolores Gutiérrez, delegada dos Assuntos Sociais.

Só as autópsias poderão, agora, esclarecer os factos que estiveram na origem da tragédia, mas familiares do casal ponderam processar o serviço de emergência por negligência no socorro. 


Fonte: Jornal de Notícias

 

Centenária. O freguês pediu peixe fresco?

Um designer, uma ilustradora, um artista plástico e uma peixeira querem que Lisboa se convença de que não há só sardinhas no mar

Na montra há um ruivo tão fresco que por pouco não pisca os olhos às freguesas que passam. E um pampo que se apresenta como melhor amigo dos clientes. A conta da sedução está desenhada na parede pintada de azul: “Isto é uma posta de pampo + rodelas de cebola + azeite do bom + batatas + mandar tudo para o forno = fim da história.” Tão simples como uma conta de somar, assim se cozinha o peixe nesta Peixaria Centenária: a soma é obra do designer Rui Quinta, 33 anos, da ilustradora Joana Mateus, 24, do artista plástico Filipe Alves, 33, e da peixeira Tânia Silva, 26. 


“Não queríamos criar uma peixaria moderna. Não podia ser muito escura nem ter um ar de sítio onde as pessoas não se sentem à vontade. Queríamos uma peixaria onde a minha avó se sentisse bem e pudesse comprar peixe, à moda antiga, com ar de mercado e onde entre tanto gente nova como as senhoras do bairro. Além disso, que tivesse preços interessantes”, conta Joana Mateus. 

Na Centenária, o peixe não é tabu: na porta 55 da Praça das Flores, em Lisboa, cruzam-se velhotas de bairro, curiosas com a loja nova (abriu a 26 de novembro), e discutem-se rumores. Há até quem diga que o dono da Peixaria é um ator famoso. Mas esta ideia - a ideia de abrir uma loja que vende peixe fresco e tudo aquilo que o acompanha - não é nova: simplesmente saiu agora do papel, onde estava desenhada há anos.
Rui Quinta tinha uma pasta no computador com o nome Peixaria Centenária desde janeiro de 2010. A ideia foi ganhando forma à medida que repensava o negócio da família - os avós e os pais sempre estiveram ligados à pesca e à venda de peixe, em Peniche - e publicava as conclusões no projeto Fishing for ideas (veja os resultados aqui). Só precisava de encontrar o sítio ideal para a realizar.

O número 55 vagou em agosto, no mesmo mês em que começou a trabalhar com os sócios, Joana Mateus e Filipe Alves. “Apresentámos o projeto à Santa Casa - o edifício é deles - e eles aceitaram. Entre agosto e novembro pensámos, criámos e executámos o projeto. Abrimos as portas da Peixaria Centenária no dia 26”, conta Rui Quinta. Investiram entre 20 e 30 mil euros, valor que pensam recuperar dentro de dois anos.
Desde a abertura, pode dizer-se que a peixaria é um trabalho das 08h30 às 20h30, mas com horas extras. É que ainda de madrugada o avô do Rui vai à lota de Peniche escolher os primeiros peixes para vender em Lisboa. Depois, um pouco mais tarde, é o pai do designer que escolhe e envia o resto das encomendas a partir do Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL). 

Às 08h30 em ponto, Tânia Silva abre a porta da Peixaria e começa a receber os clientes. Exceto à segunda-feira, que ao domingo os pescadores descansam. “Queremos criar o hábito de compra de peixe fresco nas pessoas que vêm de propósito e também nas que ligam a reservar e passam a buscar ao fim do dia. Além de conseguirmos tudo isto, percebemos que estamos a responder a uma necessidade: há espaço para todos os clientes na nossa peixaria”, acrescenta Rui Quinta. 

Joana Mateus tem mais a dizer: “Percebemos que as pessoas mais novas têm uma ideia errada do peixe: têm medo que pingue, que suje, que fique mal cozinhado. Aqui também queremos ser divertidos e didáticos.” Por isso, não vendem só um robalo; vendem antes um robalo de mar que é “homenzinho para alimentar uma daquelas famílias à antiga com meia dúzia de irmãos” - como anunciam em post its associados ao dito exemplar de proporções respeitáveis. Isso e molhos. 

É que a Peixaria vai lançar, em breve, todo o tipo de molhos para acompanhar o peixe, para adicionar e para misturar. E haverá ainda peixe marinado, vendido em broa de milho. 

As novidades não se esgotam aqui e agora. Nos planos dos quatro amigos e sócios estão novos conceitos que preferem manter em segredo por agora; e talvez a multiplicação de peixes e peixarias. Tudo para facilitar a vida aos fregueses.




quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Alterações climáticas podem mudar os peixes à mesa dos portugueses

Com o aumento da temperatura da água do mar, chegarão às costas portuguesas menos tamboril, raia, abrótea, badejo, faneca ou solha. E mais carapau, sargo, besugo ou dourada.

As alterações climáticas poderão obrigar os portugueses a mudar hábitos de consumo de peixe, com menos tamboril ou solha e mais carapau ou dourada, indica um estudo do Centro de Oceanografia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve.

De acordo com o estudo, há uma “alteração significativa” do tipo de peixe para venda que chega ao país e que “parece estar associada às alterações climáticas”.

Célia Teixeira, investigadora do Centro de Oceanografia, disse que, em anos mais quentes, diminuíram as chegadas de espécies de peixe das águas mais frias, que tendem a deslocar-se mais para norte. Pela mesma lógica, as espécies subtropicais tropicais também tenderão a subir o oceano Atlântico. Portugal fica numa zona de transição, onde há peixes de afinidade temperada e de afinidade subtropical-tropical.

O estudo analisou dados de desembarques comerciais (de peixe), entre 1927 e 2012 e concluiu que estão a diminuir os desembarques de peixes das águas temperadas e a aumentar as espécies das águas subtropicais tropicais.

“Tendo em conta que os cenários climáticos prevêem um aumento da temperatura, espera-se que os desembarques das espécies subtropicais tropicais venham a aumentar e, por isso, essas espécies possam vir a ser mais frequentes na costa portuguesa, estando assim disponíveis para os consumidores”, conclui o estudo divulgado esta terça-feira em comunicado de imprensa.

Com o aumento da temperatura da água do mar, os portugueses terão portanto menos raia, abrótea, badejo, faneca ou solha, entre outros peixes. Mas, em compensação, terão mais carapau, sargo, besugo ou dourada, entre outros.

Célia Teixeira admitiu ainda que, no futuro, à mesa dos portugueses possam começar a chegar outras espécies de peixe que, até agora, não são pescados na costa.


Fonte: Público