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terça-feira, 22 de julho de 2014

Aos quatro anos, mais de 90% das crianças já consome sal a mais


Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto apresenta livro que ensina pais a alimentarem crianças de forma saudável.

Aos quatro anos, mais de 90% das crianças ultrapassa já “os valores toleráveis de sal” para a sua idade, com a sopa e o pão a destacarem-se como os alimentos que mais contribuem para este consumo elevado. Este é o resultado mais alarmante de uma investigação baseada em dados do projecto Geração XXI, que acompanha uma extensa amostra de crianças desde o seu nascimento, e que esta quarta-feira foi apresentado no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP). “O sal é um problema em Portugal”, sublinhou Carla Lopes, do ISPUP, para quem a legislação existente (e que estabelece limites para o sal no pão ) talvez já “não chegue”.

De uma forma muito sintética,  a avaliação aos quatro anos de uma amostra da coorte (grupo de pessoas que nasceram na mesma altura) do projecto Geração XXI (que avalia quase 8700 crianças desde 2005)  permitiu perceber  que o consumo de alimentos de elevada densidade energética é elevado desde idades precoces e influencia mais tarde um padrão alimentar mais desequilibrado. Num olhar menos aprofundado, até parece que tudo estará bem, porque estas crianças ingerem em média 1600 calorias por dia, com uma componente adequada de proteínas, hidratos de carbono e gordura, além da maior parte dos micronutrientes, como se conclui da análise de uma subamostra dos diários alimentares de mais de 2500 crianças.

Os problemas começam quando se aprofunda a análise. Percebe-se, por exemplo, que apenas quatro em dez crianças nesta idade atingem as recomendações diárias de cinco porções de fruta e hortícolas diárias recomendadas pelas Organização Mundial de Saúde (OMS).  De resto, o relatório sobre o consumo alimentar e nutricional em crianças em idade pré-escolar que resultou deste trabalho do ISPUP prova também que nesta idade o consumo da carne é já muito superior ao de peixe (42% consome carne diariamente e 9%, pescado), ainda que o consumo de carnes brancas suplante o de carnes vermelhas, excluindo charcutaria.

Preocupante é também o facto de  mais de metade destas crianças (52%) consumirem refrigerantes e néctares diariamente e 65% comerem  bolos e doces pelo menos uma vez por dia. A agravar, quase três quartos ingere snacks salgados (pizza, hambúrguer, batatas fritas e outros snacks de pacote) entre uma a quatro vezes por semana.  O refrigerante mais consumido é o ice-tea, com um quinto das crianças nesta idade a consumir esta bebida  todos os dias. “Os pais pensam que estão a dar chá aos filhos”, lamenta Carla Lopes.

 “São dados que nos devem fazer pensar”, defende o presidente do ISUPUP e coordenador científico do projecto Geração XXI, Henrique Barros, que adiantou que outras avaliações entretanto feitas a esta coorte permitiram já perceber que é elevada a proporção de crianças com uma pressão arterial demasiado alta.

Na educação para uma alimentação saudável, a família tem um papel crucial, mas também o jardim de infância tem um papel relevante, destacaram a propósito os especialistas, que notam que “ padrões sociais mais desfavoráveis se relacionam com um consumo alimentar mais desadequado”.

A boa notícia é a de que este relatório acabou por dar o mote para um livro. Os pais e cuidadores de crianças em idade pré-escolar  passam agora a ter uma nova ferramenta ao seu dispor, o e-book  “Da mesa à horta: aprendo a gostar de fruta e vegetais!”, um guia prático que pode ser descarregado em www.ispup.up.pt. A elaboração deste obra foi possível graças ao projecto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e contou ainda com o apoio da Direcção-Geral da Saúde (DGS). 

 Louvando a iniciativa, o  pediatra António Guerra lembrou que aprendizagem de uma alimentação correcta é muito importante “neste período-janela tão sensível” e aconselhou as pessoas “a serem pedagógicas e criativas”, a diversificarem,  “sem pressionarem”. Também Pedro Graça, coordenador do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da DGS,  elogiou o livro e adiantou ser sua intenção promover a sua divulgação. “Estes dados são  relativamente comuns ao que se passa noutros países do Sul da Europa, a diferença está no sal, temos que ganhar a luta contra o sal”,  destacou o responsável.
           

Fonte: Publico

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Hábitos alimentares das crianças pioram com a idade e com a exposição à publicidade

Estima-se que as crianças e os jovens possam ver mais de 46.000 mensagens publicitárias por ano. Em Portugal, mais de 70% dos alunos entre os 8 e os 11 anos dizem que a publicidade influencia a alimentação. 

As crianças mais novas até têm conhecimentos razoáveis sobre o que é uma alimentação saudável. Mas, com o passar dos anos, “perdem-nos”. E, com os conhecimentos, mudam os comportamentos, que, com a idade, se tornam menos saudáveis, mostra uma investigação feita junto de cerca de 600 alunos entre os 8 e os 11 anos que frequentam escolas da Grande Lisboa. O acumular de horas e horas de anúncios publicitários pode ajudar a explicar essa deterioração de comportamentos?

Pode, sustenta Francisco Costa Pereira, o coordenador da equipa da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias que elaborou o estudo apresentado nesta terça-feira, em Lisboa.

“O estudo não demonstra directamente uma relação entre a obesidade e a publicidade”, explica, mas há dados que dão que pensar, continua: quanto mais velhas são as crianças inquiridas, mais horas de televisão vêem e mais navegam na Internet. Quanto mais velhas, menor é o consumo de alimentos saudáveis naturais e maior o de alimentos menos saudáveis, como snacks. Os resultados sugerem que “a publicidade pode desempenhar um papel nesta relação”, conclui o estudo A Influência da Publicidade nas Crianças.

É certo que, entre os 8 e os 11 anos, as crianças também se tornam mais cépticas em relação à publicidade. Mas esta é sempre uma relação ambivalente: a afirmação “os anúncios mentem” tem quase tanto peso nas respostas dos miúdos como a de que “os anúncios mostram-me coisas boas para comprar”.

São, de resto, as próprias crianças – mais de sete em cada dez das inquiridas – a dizerem que a publicidade pode influenciar os hábitos alimentares das pessoas.

Os jovens, nomeadamente as crianças, estão expostos diariamente a milhares de mensagens publicitárias, lê-se no estudo. Estima-se que possam ver mais de 46.000 por ano. O grupo de alunos que fez parte da amostra dos investigadores portugueses revelou ter “uma vida bastante sedentária”, com cerca de metade do seu tempo disponível passado a ver televisão e a estar no computador. Estas crianças estão sujeitas a “uma exposição muito elevada a mensagens publicitárias”.

Essa “elevada exposição” ficou bem patente quando foram desafiadas a mencionar marcas: as crianças foram capazes de referir 420 marcas diferentes – à cabeça, uma marca conhecida de pronto-a-vestir, depois uma de papas e chocolates, e ainda o nome de uma cadeia de hipermercados e depois uma marca de roupa e assessórios desportivos.

Trata-se de um “repertório bastante elevado”, sustentam os investigadores, com as marcas relacionadas com os produtos alimentares a terem “um lugar destacado”.

Costa Pereira lembra que muito do que as crianças mais novas sabem sobre alimentação saudável aprendem na escola – nas aulas e através das dietas nas cantinas. Mas que esses conhecimentos e comportamentos têm de ser “consolidados” em casa, sob pena de não resistirem à passagem para o 2.º ciclo e para a fase da pré-adolescência. Por fim, sustenta que uma maior literacia da publicidade (capacidade de compreender os anúncios, quem os faz e com que objectivos) pode ajudar as crianças a terem conhecimentos e comportamentos alimentares saudáveis.
 
 
Fonte: Público

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Dia Mundial da Alimentação - Finalista do Top Chef ensina as crianças na Póvoa de Varzim

O Mercado Municipal da Póvoa de Varzim vai comemorar o Dia Mundial da Alimentação com um Live Cooking a cargo do Chef Rui Martins, da Prochef Agency. É no dia 16 de Outubro a partir das 10.30h Alunos do Grande Colégio vão aprender a confecionar receitas simples e saudáveis. 

A iniciativa ‘Cozinha ao Vivo’ volta, assim, aquele espaço, desta feita dedicada às crianças. Sopa de abóbora e laranja, esparguete à bolonhesa e fruta salteada com iogurte grego e biscoitos de farinha de milho são as receitas que os pequenos cozinheiros vão aprender a confecionar.

Em 2012 o chef Rui Martins classificou-se em 2º lugar no Concurso Chefe Cozinheiro do Ano, e foi um dos três finalistas do Top Chef, da RTP1.


Fonte: Alivetaste