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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Empresa portuguesa desenvolve plástico biodegradável para agricultura


Um consórcio liderado por uma empresa portuguesa desenvolveu um plástico biodegradável que substitui as películas de polietileno utilizadas para cobrir solos agrícolas, com benefício para as culturas e para o ambiente, informou hoje a Comissão Europeia (CE).

Em comunicado, a CE explica que o produto desenvolvido pela Agrobiofilm, com financiamento da União Europeia, promete revolucionar a agricultura, ao substituir os plásticos para cobertura de solos que, embora essenciais para o sucesso da agricultura, têm impactos ambientais significativos durante e após o ciclo da cultura, por serem derivados do petróleo.

Além disso, por terem de ser removidas e encaminhadas para centros de recolha autorizados, as películas de polietileno, as mais usadas para cobrir os solos agrícolas, obrigam os agricultores a custos acrescidos.

Desenvolvido ao longo dos últimos três anos por um consórcio liderado pela portuguesa Silvex, o plástico biodegradável agora apresentado pela CE apresentou benefícios, "não só em termos ambientais, como ao nível do rendimento das culturas que, em alguns casos, foi superior ao registado com o plástico de polietileno".

"Perante os bons resultados, a Silvex foi convidada a partilhar a sua experiência e conhecimento em Universidades e Escolas Técnicas Europeias na área da Engenharia Biotecnológica e também na Belgian Farmers' Association", acrescenta a comissão.

Este plástico biodegradável é composto de amido de milho e óleos vegetais e foi testado nas culturas de morango (em Portugal e Espanha) e de melão e de pimento (ambos em Portugal), podendo ser utilizado em outras culturas com características semelhantes, pode ler-se no comunicado.

Foi também testado na vinha, tanto como alternativa ao polietileno, como ao solo nu e aos tubos de proteção e crescimento.

Os resultados mostram que a qualidade dos frutos não apresentou diferenças significativas, sendo o rendimento obtido nas culturas de melão, pimento e morango igual ou superior ao obtido com o plástico de polietileno, enquanto na vinha se registou um aumento significativo da expressão vegetativa das videiras, com mais raízes e de maior peso do que as plantadas em polietileno e em solo nu.

"A nível ambiental o Agrobiofilm cumpriu com os requisitos da norma NFU52-001 relativos à biodegradação no solo", acrescenta a CE.

O Agrobiofilm, que teve um investimento total de cerca de 1,5 milhões de euros, tendo recebido um milhão de euros da UE através do 7.º Programa-Quadro, já começou a ser comercializado em Portugal, Espanha e França e destina-se maioritariamente a agricultores profissionais, podendo também ser utilizado em pequenas hortas ou jardins.

A Silvex é uma das 225 pequenas e médias empresas portuguesas (PME) que beneficiaram do financiamento de investigação da UE desde 2007, num total de 305 milhões de euros. Até ao final de 2013 a União Europeia terá apoiado 15 mil PME que receberam apoios superiores a cinco mil milhões de euros.

Do consórcio Agrobiofilm fazem parte, além da Silvex, a norueguesa BIOBAG e a francesa ICSE. Outras três PME - Hortofrutícolas Campelos (Portugal), Olivier Mandeville (França) e Explotaciones Agrarias Garrido Mora (Espanha) - são os utilizadores finais, onde se realizaram os ensaios de campo.

O trabalho científico foi realizado no Instituto Superior de Agronomia (Portugal), Centro Tecnológico ADESVA (Espanha), Université Montpellier 2 (França) e Faculty of Agricultural Sciences, Aarhus University (Dinamarca).



Fonte: Notícias ao Minuto

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Película de conservação biodegradável da Silvex já chegou aos EUA

A primeira película aderente biodegradável do mundo para conservação doméstica de alimentos, desenvolvida e fabricada pela empresa portuguesa Silvex, já chegou aos Estados Unidos e à Austrália, disse o director de marketing, Hernâni Magalhães.

Fundada há 45 anos em Benavente, Portugal, a Silvex, empresa especializada em produtos de proteção e conservação em plástico, papel e alumínio, está "a procurar novas geografias" e recentemente está em experiência, com "algum sucesso", a película biodegradável nos Estados Unidos e na Austrália, afirmou à Lusa Hernâni Magalhães, lembrando que os países tradicionais de exportação estão no Norte da Europa (Suécia, Finlândia e Noruega).

"Nós internacionalmente estamos focados no Norte da Europa, nos mercados mais maduros, mas trabalhamos também na Bélgica e em Itália, portanto nos mercados mais competitivos que procuram outro tipo de produtos [mais os biodegradáveis] e os alternativos com algum 'know-how' de fabrico e valor acrescentado", explicou, adiantando que a marca Silvex está a ter "sucesso nesses países" e crescimento nas exportações.

Nos últimos dois anos, a empresa que trabalha para o mercado nacional e aposta igualmente "em força" na Espanha, tem posicionado a sua marca de consumo para dar mais valor aos produtos fabricados por si.

"Muitas vezes os diferentes produtos iam para o cliente sem marca e isso levou a uma estratégia de reposicionamento que foi feita. Todo o produto que sai da fábrica é um produto da marca Silvex", realçou.

Hernâni Magalhães disse ainda à Lusa que o posicionamento estratégico da marca Silvex passa por ter o mesmo produto que se encontra nas prateleiras dos supermercados em Portugal, também na Espanha, o que no país vizinho já foi alcançado com algumas referências nos grupos Carrefour e Auchan.

"Esse é um trabalho que estamos a conseguir, é para continuar, e que está a ter aceitação junto do consumidor em Espanha", sublinhou.

Sobre o volume de negócios, a Silvex espera fechar este ano com uma faturação global na casa dos 30 milhões de euros, ligeiramente acima dos 29,8 milhões do ano passado.

Em 2013, as exportações deverão representar entre 38% a 40% da faturação total da Sx, tendo passado dos 22% a 23% do valor observado dois anos antes.

Os mercados externos foram conquistados pela Silvex através da tecnologia e da Investigação e Desenvolvimento (I&D) que está no "nosso ADN": "Nós temos a tecnologia, temos bons equipamentos, temos o melhor que há em termos de equipamentos de extrusão e de corte, o que nos permitiu conquistar os mercados porque temos um produto de muito boa qualidade, a um preço razoável e que não é importado da Ásia", disse à Lusa.

"Temos é outro 'konw-how' e outra tecnologia e somos muito mais rápidos a pôr os produtos nos mercados de exportação", adiantou o gestor.

No ano de 2008, a Silvex iniciou um projeto de expansão da fábrica para aumentar a capacidade de produção que lhe permitisse não só aumentar as exportações, mas também produzir uma nova família de produtos em plástico biodegradável, por forma a acompanhar a transição dos plásticos de origem fóssil para produtos mais sustentáveis e inovadores, caso do fabrico de sacos de plástico biodegradável a partir do amido de milho.

A empresa de Benavente tem também dado atenção ao I&D como factor de "inovação e diferenciação", tendo investido 623.000 euros em 2012, quando dois anos antes canalizou 395.000 euros para esta área, disse à Lusa Hernâni Magalhães que destacou a aposta da Silvex na área agroindustrial, que poderá acrescentar 10% à faturação global nos próximos três anos.

A empresa coordenou o consórcio do projeto AGROBIOFILM, cofinanciado pela comunidade europeia, tendo desenvolvido o filme agrícola biodegradável e compostável para cobertura do solo, em associação com diversas universidades e centros de investigação em Portugal, Espanha e França, o que lhe vai permitir expandir o negócio com o Mulcht Agrobio nos próximos anos nestes três países.

A Silvex emprega atualmente 240 trabalhadores.