Uma equipa de investigadores, que integra um português, descobriu
uma nova forma de estudar os efeitos que cada nutriente dos alimentos
tem no cérebro e no comportamento.
O "novo método", pulicado este domingo na revista científica
"Nature Methods", estabelece uma forma de controlar a composição
nutricional da comida ingerida pela mosca da fruta, uma investigação
conjunta da Fundação Champalimaud (Portugal), da University College
London, da King's Collegge London, da University of Michigan e do Max
Planck Institute.
Em declarações à agência Lusa, o cientista
Carlos Ribeiro explicou que o estudo vem permitir perceber como é que as
alterações nos níveis de determinados nutrientes na dieta da mosca da
fruta podem resultar em alterações no cérebro e no comportamento deste
organismo.
"A comida que consumimos afeta todos os aspetos da
nossa vida, incluindo o envelhecimento, a fertilidade, a esperança de
vida, o estado mental e o comportamento", segundo o especialista, que
indica que este novo método permite estudar cada nutriente, de forma
isolada, e como cada um afeta os vários aspetos da vida.
Ao nível
molecular, a composição da comida é de uma complexidade que torna
difícil compreender quais são os nutrientes capazes de afetar o
bem-estar.
"Se queremos saber porque nos sentimos mais leves
quando comemos um vegetal do que um bife, é muito difícil saber o que no
bife faz a diferença", exemplificou.
Os investigadores criaram
uma comida artificial, que tem a mesma qualidade do que a comida normal
para as moscas. Sendo artificial, é possível retirar os componentes
desejados para saber como influenciam o comportamento.
Esta
comida artificial permite ainda que os vários investigadores
internacionais que estudam tendo modelo a mosca da fruta possam usar a
mesma formulação, em vez de dietas diferentes.
Daí que se tenham
juntado várias equipas de investigação para desenvolver o método, que
poderá levar a uma melhor compreensão do cérebro, através do estudo do
efeito de cada nutriente.
"Analisámos o efeito que essa dieta tem
no comportamento. Quando se tiram as proteínas, o comportamento muda
completamente, por exemplo", indicou Carlos Ribeiro, adiantando que
outras equipas de investigação estão a estudar o efeito dos nutrientes
na longevidade ou nas células estaminais.
Fonte: Jornal de Notícias