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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Queijo: De ovelha ou de vaca?

Por cá achamos que queijo que não é de ovelha não é queijo que se preze. E no entanto, os franceses, considerados os melhores do mundo, são praticamente todos de vaca (desde o multitudinário camembert ao brie, passando pelo mais industrial vache qui rit até aos ainda célebres comté e beaufort), - com as excepções que confirmam a regra, como o dito roquefort (bolorento e de ovelha) ou o chèvre (obviamente de cabra). Não vamos aqui desfiar espécies de queijos franceses, que são centenas - o próprio De Gaulle, como blague, dizia ser ingovernável um país com tantas centenas.

Mas para leite de vaca, temos outras celebridades mundiais: os suíços emmental e gruyère; os italianos gorgonzola, parmigiano, provolone, mozzarella (este de búfala) e ricotta (mistura de búfala e vaca); os britânicos stilton (magnífico queijo bolorento harmonizado com vinho do Porto), cheddar e cottage (fresco); os holandeses edam e gouda, etc. Já o grego fetta se faz com leite de cabra e ovelha, e se pensarmos num dos mais famosos queijos do centro de Espanha, o manchego, vemos que fica óptimo com ovelha e deslavado com vaca.
França é o país que mais exporta queijo em valor, e a Alemanha - que não tem nenhuma espécie que nos fique na memória, em quantidade de produto. Quase todos de vaca.
Ora isto parece dever-se aos pastos que há em cada região. Portugal, com fama de não ter pastos muito bons para gado graúdo, safa-se nas ervas pequenas para ovelhas e cabras. Mas há uma zona, os Açores, em que o pasto para vacas é rei: e aí temos o belo queijo da ilha (sobretudo o São Jorge), feito precisamente de leite de vaca. Já os pastos franceses, holandeses, italianos e britânicos são magníficos para o gado bovino.
Actualmente em Portugal, dos de ovelha mais conceituados, além dos de Serpa e Azeitão (ver caixa), temos os de Castelo Branco, Alcains e Idanha-a-Nova (mais duros), os da Serra (igualmente amanteigados), os pequenos alentejanos (Évora e Nisa) e outros (como o transmontano tarrincho). Dos de vaca, além dos açorianos da Ilha, há os de grande combate (limianos e castelões, por exemplo). E, finalmente, misturas célebres, como o Rabaçal (ovelha e cabra) ou outros apenas de cabra (transmontano).
Mas os franceses, e de vaca, são essenciais numa boa tábua de queijos: um camembert, um brie e um beaufort, entre os duros; depois talvez um bolorento de vaca, o britânico stilton, e outro de ovelha, o roquefort; e salguemos isto com um chèvre; acrescentemo-lhe um manchego de ovelha bem curado; e ponhamo-lhe de portugueses um Serra (talvez preferisse o Serpa); rematemos com uns meia-cura alentejanos (de Évora) de ovelha. Para os estrangeiros, é procurar no Corte Inglès. Os nacionais andarão pelas melhores mercearias e supermercados.
Resta lembrar que o queijo é um produto feito a partir do leite coalhado, que vem de tempos imemoriais - com vantagens de conservação e durabilidade em relação ao leite. E também que os queijos artesanais quase desapareceram de Portugal, com a perseguição da ASAE a lutar pelas normas higiénicas e industriais da UE - que o resto da Europa faz coexistirem com os produtos gourmet dos pequenos artífices particulares.
Queijo de Serpa - o meu n.º1

É a minha predilecção portuguesa em queijos: o de Serpa. É naturalmente alentejano, da zona da cidade que lhe dá nome. Contudo, a Denominação de Origem Protegida (DOP), confirmada pela União Europeia, envolve uma área que inclui a totalidade do distrito de Beja e cinco freguesias de três concelhos de Setúbal (São Domingos, Alvalade e Abela, no concelho de Santiago do Cacém, Azinheira dos Barros e São Mamede do Sádão, no concelho de Grândola, e Torrão, no concelho de Alcácer do Sal).
E depois há, também em Serpa, e produzido da mesma forma, o presidia slow food, um queijo de ovelha que se distingue por um período de maturação mais prolongado, no mínimo de quatro meses.
Muito semelhante ao da Serra, o queijo de Serpa é também coalhado com flor do Cardo, mas beneficia do sabor mais intenso das pastagens alentejanas, que se reflecte depois no produto final. É um queijo de ovelha curado (permanece um mínimo de 30 dias nas queijarias, em ambiente húmido, até atingir o ponto certo de maturação), de pasta semi-mole, amanteigado.
Outro queijo excepcional da zona, também de ovelha e amanteigado, mais pequeno do que o de Serpa, é o de Azeitão (8 centímetros de diâmetro e 5 de altura) - mas este com a sua DOP apenas no distrito de Setúbal (concelhos de Setúbal, Palmela e Sesimbra).


Fonte: Sol / Anilact

terça-feira, 14 de abril de 2015

Utilização do cardo como agente coagulante na produção do queijo - ponto da situação

O Ministério da Agricultura e do Mar, através da DGAV e INIAV, e algumas entidades representantes do setor produtivo – CATAA (Centro de Apoio Tecnológico Agro-alimentar) e QUALIFICA (Associação Nacional de Municípios e de Produtores para a Valorização e Qualificação dos Produtos Tradicionais Portugueses) concluíram o dossier relativo ao pedido de inclusão do extrato de cardo como coagulante no fabrico de queijo na Lista comunitária de enzimas alimentares.
Desde o início do processo que a DGAV tem estado em contacto com a Comissão através do Grupo de Trabalho de Enzimas Alimentares, de forma a assegurar que a elaboração do dossier cumpra os requisitos necessários à sua aprovação. A Comissão foi alertada para a especificidade do pedido, dado o caráter tradicional e a ancestralidade de utilização do cardo.
No decorrer dos contactos de Portugal com a Comissão, ficou claro que as especificidades relativas ao cardo como agente coagulante se encontram abrangidas pelos requisitos da regulamentação aplicável.
O dossier é constituído por uma parte administrativa e uma parte técnica, estabelecidas pelo Regulamento (UE) n.º 234/2011 que executa um procedimento de autorização comum aplicável a aditivos alimentares, enzimas alimentares e aromas alimentares, e explicitada por referenciais orientadores da Comissão e da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar.
A parte técnica relativa à avaliação e gestão de risco foi realizada pelas entidades oficiais e o histórico do uso do cardo foi realizado pela Qualifica. A avaliação e gestão de risco incluiu a caraterização necessária para a avaliação do risco, o modo de preparação e a demonstração do papel essencial do extrato de cardo no fabrico de alguns tipos de queijo tradicionais, nomeadamente alguns beneficiando da Denominação de Origem Protegida (DOP).
A parte administrativa é da responsabilidade das entidades que apresentaram o pedido (Qualifica, CATAA), o qual, por indicação da Comissão Europeia, cabe às entidades produtoras ou utilizadoras das enzimas (extrato de cardo).
O dossier relativo ao extrato de cardo foi enviado pela QUALIFICA no passado dia 23 de fevereiro, à Comissão Europeia (Unit E7 - Food improvement agents - DG Santé Directorate-General for Health and Food Safety), seguindo o procedimento estabelecido na Guidance da Comissão.
Na reunião do Grupo de Trabalho de Enzimas Alimentares realizada em 24 de fevereiro, PT informou a Comissão do envio do dossier, o qual, entretanto, já deu entrada na Comissão, a 25 de fevereiro de 2015.


segunda-feira, 16 de junho de 2014

Autarquia quer pasteurizar o leite de cabra

Subordinadas ao tema do queijo e todos os derivados da cabra, as Festas do Município de Proença-a-Nova arrancaram dia 12 de junho no Parque Urbano. Além da vertente da caprinicultura, os sabores regionais terão também um lugar de destaque no recinto.

Dos 70 expositores, cerca de 20 entre eles 2 coletivos agrupam produtores de queijo, cereja e outros produtos alimentares, numa zona que conduz os visitantes até às instalações em que irão decorrer oficinas de preparação de queijos e gelados, tigeladas e cosméticos, tudo com leite de cabra ou, por exemplo, “uma pizza com sabores originais criada especificamente para a festa”, explicou à Rádio Condestável João Paulo Catarino, presidente da câmara. O objetivo é “para além do cabrito, mostrar as potencialidades ligadas aos caprinos na região”, disse ainda o autarca, desvendando que um dos projetos para o futuro é “pasteurizar o leite de cabra pois não há este produto a nível nacional. O único que há à venda vem de França”, informou.
No total são 70 os espaços expositivos, divididos entre a zona temática, área de artesanato, bares e tasquinhas com serviço de refeições, sendo que o destaque serão os naturais do concelho, uma forma de os ajudar “a arranjar uma fonte de rendimento a partir destas festas, para depois manterem as suas sedes e atividades ao longo do ano”, reiterou o edil proencense.
Na cozinha ao vivo, está confirmada a presença de Maria João Clavel, Leonel Pereira e Rui Alves. Além das oficinas que acentuarão diferentes utilizações do leite e queijo de cabra, haverá momentos em que adultos e crianças terão oportunidade de ordenhar manualmente o animal, um jogo de prova de diferentes leites e duas palestras sobre o tema escolhido para este ano.
O facto da temática da caprinicultura ter sido introduzida nas Festas do Concelho, com a autarquia a tentar dar a entender que é uma área benéfica para os produtores e para a própria floresta, já levou a que alguns produtores olhassem de forma diferente para esta vertente agrícola pois “é sem dúvida a espécie animal adaptada à nossa região e beneficia a floresta, além de que o leite de cabra tem atualmente reconhecidas vantagens”, concordou o autarca, esperançado que “daqui a uns anos se consiga ver o fruto desta aposta”.


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Novo coagulante permite manter a textura dos queijos

A DSM apresentou o seu novo coagulante Maxiren XDS que permite que aos fabricantes de queijo manter intacta a textura dos seus produtos durante mais tempo.

Artigo completo em Foodwatcher

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Fytozimus Biotech apresenta enzima natural para produção de queijo

A Fytozimus Biotech Inc., uma empresa Luso-Canadiana de Biotecnologia, lançou no mercado uma nova enzima 100% natural, obtida a partir da flor do cardo, para produção de queijo.

Esta enzima, denominada Cynzime, é um produto natural, de origem vegetal que coagula diferentes tipos de leite, como o produzido por vacas, cabras, ovelhas, búfalas e camelas e que permite criar novas texturas e aromas em diversos tipos de queijo.

Este método de extração da enzima é uma inovação a nível mundial e uma descoberta 100% portuguesa. Desde Julho de 2013 estão operacionais em Lisboa instalações de produção em grande escala da enzima Cynzime.

Estudos realizados pela Tsiviski Company (Mauritânia) em 2010, provaram que a Cynzime, é uma excelente enzima de coagulação para o leite de camela e em França, a Danisco confirmou que este produto é excelente para o queijo Gouda, com baixo teor de gordura.

Atualmente a Cynzime está já a ser testada e distribuída em Portugal, Mauritânia, França, EUA, Holanda, Israel e Emirados Árabes Unidos. A Fytozimus realizou também uma parceria com a Enzyme Development Corporation, uma das maiores empresas norte americanas de enzimas, que vai permitir a distribuição do produto nas maiores empresas de produção de queijo dos EUA, Canadá e México.


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Limiano revela o Segredo do Pastor

A marca Limiano, recentemente distinguido como “Marca que Marca” na categoria “Queijos”, apresenta o novo Limiano Segredo do Pastor.

O novo produto é apoiado pelo filme “Segredo do Pastor” que faz parte da campanha “De que é feita uma família?”. O filme realça as características do produto: um queijo prático de comer e sem desperdício. Como não tem casca, come-se até ao fim, não sobra nada.

“O novo Segredo do Pastor vai de encontro à estratégia da marca Limiano, que aposta continuamente na modernização e inovação dos seus produtos. O segredo deste queijo passa pelo seu processo de cura especial e tem como principal característica não ter casca, nem adição de conservantes, como tal podemos comer até ao fim”. Afirma Paula Amaral, Group Brand Manager da marca.

Com assinatura “não se desperdiça nada, não sobra nada”, o filme publicitário Limiano Segredo do Pastor vai estar no ar em Janeiro em vários canais de TV. O plano de comunicação envolve ainda rádio e internet, nomeadamente YouTube, site e Facebook da marca.


Fonte: Do Restaurante  / ANIL

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Queijo made in Famalicão conquista mercado

Encontraram na tradição da família uma oportunidade de negócio e arriscaram tudo. Os irmãos Rogério e Luís Lourenço iniciaram a aventura de produzir o queijo “Dom Villas” no dia 15 de Novembro de 2000 a partir de uma receita familiar e procurando dar valor acrescentado ao leite produzido na agro-pecuária dos pais. De lá para cá, o desenvolvimento foi a “pulso” mas “constante”. 

A empresa Lourofood fixou a marca “Dom Villas” no mercado e depressa alargou a sua atividade a outros produtos. O crescimento tem sido à média de dois dígitos por ano e em 2013 a empresa já faturou mais de 8 milhões de euros.

Os pormenores deste projeto empresarial de sucesso foram desvendados hoje pelos principais protagonistas da história, Luís e Rogério Lourenço, durante uma visita do Presidente da Câmara de Famalicão, Paulo Cunha, às instalações da empresa, no âmbito do ciclo “Made in Famalicão”.

A empresa está sediada na freguesia do Louro, junto à exploração agrícola da família. Emprega 33 pessoas e tem uma forte presença no mercado nacional, tanto ao nível da grande distribuição, como na restauração. A exportação é também uma realidade da empresa, absorvendo já parte da produção para países como o Canadá, França, Alemanha e Angola.

O crescimento é desafio constante para os dois irmãos que garantem fidelidade à base artesanal da marca, assumindo a qualidade como um valor maior. Apesar dos 90 artigos que hoje são produzidos pela empresa, o queijo Dom Villas, que está presente nas prateleiras dos supermercados, continua com “produção cem por cento artesanal” e mantém a “pureza, qualidade e suavidade original”.

O pai de Luís e Rogério não se limitou a ver o negócio dos filhos a prosperar, tendo ele próprio arriscado a produção de licores a partir das fruteiras da quinta, como produto complementar aos queijos produzidos, e que são já também uma imagem de marca da empresa.

Para o Presidente da Câmara Municipal, este é um “projeto de referência no concelho, um bom exemplo que pode e deve ser replicado”. O autarca famalicense realçou sobretudo o aproveitamento da tradição e da experiência familiar como um “exemplo claro de empreendedorismo”.


Fonte: Câmara Municipal de V.N. Famalicão 

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Limiano é a marca de queijo nº1 no retalho

A Limiano é a marca de queijo número 1 no retalho alimentar, segundo dados da consultora Nielsen referentes ao último ano (ano móvel terminado em Novembro de 2013). No ranking dos fabricantes líderes em valor seguem-se, respectivamente, Terra Nostra, Castelões, Agros e a Vaca que Ri.
 
As marcas de fabricante dominam a venda de queijos em super, hipermercados e canal tradicional em Portugal, com uma quota de mercado de 67%. No entanto, perderam 2% de quota no período analisado pela consultora, enquanto as marcas da distribuição aumentaram (+4%) a quota para uma participação global de 33%.

A categoria manteve praticamente inalterado o volume de negócios (435,9 milhões de euros), mas perdeu 1% das vendas em volume para 57,8 milhões de quilos.

Por segmentos, a análise da consultora revela que a categoria de queijo flamengo representa 37% das vendas de queijo no retalho alimentar. Logo de seguida, os portugueses preferem o queijo de prato, o queijo fresco e o requeijão.

A grande maioria dos lares compra queijo no retalho (96% dos lares no último ano). Em média, os portugueses deslocaram-se às lojas 22 vezes e despenderam 2,91 euros por cada visita. São os supermercados o formato de eleição dos consumidores para adquirir queijo – concentram 64% das vendas.


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Sabores de Idanha certificada em segurança alimentar

A Cooperativa de Produtores de Queijos da Beira Baixa/Idanha-a-Nova, CRL. (CPQBB) é a primeira queijaria da Beira Baixa a ser formalmente certificada com a Norma internacional ISO 22000:2005 (Sistemas de Gestão da Segurança Alimentar) no âmbito da produção e comercialização de queijos, requeijão, travia e produtos à base de queijo (Bombons de Queijo).Esta certificação foi concedida pela APCER, após auditoria que confirmou que o Sistema de Gestão da Segurança Alimentar da Cooperativa funciona de acordo com os requisitos da norma.
 
A Cooperativa de Produtores de Queijos da Beira Baixa, é assim a primeira queijaria da Beira Baixa a receber esta certificação em todos os seus produtos.

Esta certificação veio juntar-se à certificação do Sistema de Gestão da Qualidade (ISO 9001:2008) renovada em Novembro de 2012.Com o sistema integrado de Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar (que abrange todo o sistema de produção, desde a matéria-prima até à expedição final do produto), a CPQBB mostra ao mercado uma maior transparência dos seus processos, de modo a garantir uma maior confiança do consumidor na aquisição final dos produtos, numa altura em que as expectativas do cliente são cada vez mais elevadas.

Para além da preocupação com o produto/consumidor final, a CPQBB acredita que a certificação também irá trazer para a empresa vantagens a nível económico, nomeadamente, maior facilidade nas transacções entre os vários países. Para a CPQBB a adopção de um sistema integrado de Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar está de acordo com a orientação estratégica da empresa, em particular, como uma forma de estar e de se diferenciar num mercado cada vez mais competitivo.

Promover e garantir a Segurança Alimentar é, actualmente, uma exigência de todos os sectores que envolvem a produção e o fornecimento de géneros alimentícios.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Queijos da Quinta da Tapada mais uma vez premiados

A Lacticínios Halos, SA atravessa dificuldades provocadas pela crise mas continua a apostar na qualidade e na inovação
Queijos da Quinta da Tapada mais uma vez premiados
A crise que afecta o país tem trazido dificuldades à Lacticínios Halos, empresa sedeada na Quinta da Tapada, em Casais, Lousada. O combate é feito com mais qualidade e inovação. E isso tem dado não frutos mas prémios. No ano em que está a comemorar 70 anos de existência, a empresa foi mais uma vez distinguida a nível nacional, conquistando dois prémios no concurso Queijos de Portugal 2013, promovido pela Associação Nacional dos Industriais de Lacticínios (ANIL). O queijo Trevo voltou a ser premiado como o Melhor Queijo Flamengo enquanto o Queijo Curado de 90 gramas da Quinta da Tapada foi considerado o Melhor Queijo de Vaca (cura prolongada).

A empresa lousadense promete continuar a apostar em novos produtos, mas mantendo sempre o sabor genuíno dos seus queijos, e diz-se aberta à entrada de mais investidores que permitiriam avançar com novos projectos.

Selos de qualidade são importantes

São quatro os pilares de actividade da Lacticínios Halos: a queijaria, o vinho, os kiwis e o agro-turismo. Mas a produção de queijo sempre assumiu papel preponderante nos negócios da empresa. A aposta passou sempre por um método de produção semi-artesanal, que alia tradição e modernidade, e pela inovação, sem nunca perder de vista o mais importante – a qualidade do produto.


E a receita parece estar certa já que, mais uma vez, os queijos da Quinta de Tapada foram premiados no concurso da associação nacional do sector. Recorde-se que além das duas distinções conseguidas este ano, a queijaria de Lousada tem vindo a granjear outros prémios. Em 2010, os queijos flamengo bola TREVO e o curado TREVO, bem como os espumantes Casa do Carregal Reserva foram considerados Sabor do Ano 2010 pela Tryp Network. O queijo de bola Trevo venceu, na categoria de Melhor Flamengo, o concurso da ANIL de 2011. Já no ano passado, o prémio Melhor Queijo Novos Sabores 2012 distinguiu o Queijo de Sabor Alho com Salsa da Quinta da Tapada. Selos de qualidade importantes para uma pequena empresa, de apenas 30 funcionários, garante o director-geral da empresa. "É muito interessante conseguirmos conquistar dois prémios a partir de provas cegas a 163 referências de 56 fabricantes nacionais", salienta Duarte Vieira.

Querem criar linha de fatiamento, mas precisam de investidores

Há dois anos como director-geral da Quinta da Tapada, o engenheiro em Ciências Agrárias não esconde que nem estes queijos singulares conseguiram evitar que a empresa fosse afectada pela crise. Em 2012, a Lacticínios Halos facturou cerca de dois milhões de euros, mas as limitações financeiras não têm permitido pôr novos projectos em prática. "Temos que nos colocar na posição do consumidor. Comprar uma bola de queijo pode custar cerca de 14 euros. Já vendemos bolas em metades e em quartos para ser mais acessível. Temos o projecto de criar uma linha de fatiamento que ia permitir reduzir o custo no acto de compra e entrar no mercado ibérico", explica o gestor. Para isso, é preciso investimento. "Estamos abertos à entrada de potenciais investidores para pormos estes projectos em marcha", acrescenta Duarte Vieira.
Com capacidade para transformar 40 mil litros de leite por dia, a queijaria da Quinta da Tapada está a funcionar a cerca de um terço da sua capacidade produtiva: entre 50 a 100 mil litros por semana. "Temos feito um racionamento entre o que se vende e o que se produz. Mas caso surjam encomendas conseguimos, rapidamente, triplicar a produção", explica o director-geral.
E porque os produtos são caros, mas distintos, a empresa tem conseguido colocá-los em mercados importantes como as lojas do El Corte Inglês. "Assim conseguimos chegar aos clientes que apreciam qualidade e produtos inovadores", acredita Duarte Vieira. "O nosso queijo flamengo é o mais caro do mercado mas sabemos que é o melhor", assegura o engenheiro. 

Tentar sobreviver à crise é o projecto de futuro mais imediato da empresa, que emprega funcionários da região e adquire o leite que transforma em cooperativas locais. "Temos produtos de valor acrescentado, diferentes dos que existem no mercado mas a crise afecta-nos. Os portugueses não sentem melhorias e retraem-se no consumo", conclui o director-geral.
Agora que se aproxima o Natal, as propostas da Quinta da Tapada passam pelo queijo com chocolate, que vão voltar a lançar, e pelos cabazes com produtos da quinta, que custam entre 15 a 50 euros.


Os produtos da Quinta da Tapada

- Queijo

A produção de queijo é a principal actividade da empresa. São transformados entre 50 a 100 mil litros de leite por dia. A aposta passa por vários tipos de queijo e pela introdução de novos sabores. Além do Queijo Trevo (flamengo ou curado), e do Queijo Rei, a Quinta produz ainda quatro queijos inovadores: o Queijo Halos com Sementes; e os Queijos Quinta da Tapada com Alho e Salsa; com Maçã e Canela e com Ervas Aromáticas. 

- Vinhos

A quinta possui cinco hectares de vinha e produz 20 a 25 mil litros de vinho por ano. Sob as marcas Casa do Carregal e Portal do Carregal a empresa aposta em dois espumantes (um branco e um rosé) "únicos e genuínos, de castas especificas da região", já premiados, e em dois vinhos verdes brancos e um rosé.
- Kiwis

Uma plantação de quase 13 hectares de kiwis está já no 8.º ano de produção e a entrar em "velocidade cruzeiro", sendo uma "mais-valia" para a empresa. 

- Agro-turismo 

Além do eno-turismo, já potenciado pela Rota do Vinho Verde, a aposta deverá passar pelo "lacto-turismo" com visitas organizadas regulares à fábrica e acompanhamento do processo de transformação do leite em queijo e depois prova dos produtos que vão para o mercado. No solar da Quinta da Tapada estão disponíveis seis quartos para alojamento, todos com casa de banho privativa.
São exploradas ainda as visitas aos jardins das camélias e um salão para festas e eventos com capacidade para 300 pessoas.



Fonte: Semanário Verdadeiro Olhar

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Três queijos dos Açores são os melhores em Portugal

 O “Concurso de Queijos de Portugal” , agora na sua quinta edição, vinha sendo realizado juntamente com - a FEIRA AGRO-VOUGA, de Aveiro  – reunindo ambos os eventos uma boa parte do sector leiteiro nacional, tendo ainda subjacente um outro concurso ligado às raças leiteiras.

Este ano a ANIL – Associação Nacional dos Industriais de Lacticínios chamou a si a organização exclusiva do evento, embora tendo várias parcerias, nomeadamente com a FULSENSE – Análises Sensoriais, tendo este 5º Concurso sido realizado em local sugerido por um dos parceiros – a CONTROLVET – deslocando no tempo, relativamente à data da realização das provas do Concurso, a divulgação dos queijos premiados e a cerimónia de entrega dos respectivos prémios aos vencedores.
Assim, e em virtude de uma outra parceria estabelecida pela ANIL , desta feita com a “Revista dos Vinhos”, aquela cerimónia realizou-se ontem segunda-feira, na Feira de Congressos da Junqueira, em Lisboa, em simultâneo com o “Encontro com o Vinho e Sabores 2013”, por aquela publicação organizado.

Perante uma vasta plateia de produtores de queijos e perante a Mesa composta por  Nuno Vieira e Brito, Secretário de Estado da Alimentação, Engº João Lança, Director do IAMA representando o Secretário Regional da Agricultura e Florestas Nuno Netto Viveiros, Comendador Manuel Casimiro Almeida, Presidente da ANIL, e Engº Pedro Queiroz, Director Geral do FIPA, a cerimónia foi aberta pela Engª Maria Cândida Marramaque, Directora da ANIL, que explicou os pormenores da organização interna e forneceu dados eloquentes sobre o envolvimento da indústria do sector nesta iniciativa. As “despesas” da mensagem da ANIL para com o trade queijeiro foram da responsabilidade do Presidente da Direcção da Associação, que não regateou elogios à qualidade dos produtos apresentados a concurso e da seriedade, profissionalismo e empenho com que a indústria do leite e do  queijo  vem afirmando indelevelmente a sua postura de dignidade deste importante vector do mercado nacional.

Foi revelado terem sido 163 os queijos a concurso nas 18 categorias abertas, sendo de imediato anunciadas, relativamente a cada uma destas categorias, o respectivo vencedor absoluto e as duas  Menções Honrosas a cada uma delas também atribuídas, cabendo aos Açores um lugar de estaque com a atribuição dos seguintes prémios:

- CATEGORIA “FLAMENGO” – Ambas as Menções Honrosas conquistadas por produtores açolrianos, concretamente o “NOVA AÇORES”  da UNILEITE e o “VALEFORMOSO”  INSULAC.

- CATEGORIA “VACA – CURA NORMAL” – 1º Prémio, “VALEFORMOSO”, da INSULAC, e Menções Honrosas para o  “QUEIJO MINA” da AÇORCARNES, LDA. (Ilha Terceira) e para o “NAVEGADOR”, da INSULAC.
 
- CATEGORIA “QUEIJO VACA – CURA PROLONGADA” – Menção Honrosa para o “QUEIJO MORIÃO” da AÇOCARNES, LDA.

- CATEGORIA “QUEIJO ILHA” – 1º Prémio “QUEIJO BEIRA” , da Cooperativa Agricola de Lacticínios do Topo (FINISTERRA); Menções  Honrosas para o “QUEIJO TOPO”, da FINISTERRA, e para o “VALFORMOSO” da INSULAC

- CATEGORIA “NOVOS SABORES” – 1º Prémio “NOVA AÇORES”, UNILEITE UCRL
 
Tal como a UNILEITE, nesta cerimónia representada por Andreia Santos e Carlos Nunes, também a delegação da INSULAC, integrando os Administradores José Leite e Engº José Rodrigues e ainda o Chefe de Vendas Luis Leite, estava visivelmente satisfeita com os resultados alcançados no certame pela sua empresa, tendo José Leite realçado à reportagem do “CORREIO DOS AÇORES” a importância – para a empresa e para os Açores – sobretudo do 1º Prémio conquistado, a par das Menções Honrosas com que também foi distinguida, o que defendeu ser “um incentivo para melhorarmos o nosso mercado, cativar mais o cliente e continuar a afirmar a qualidade dos nossos produtos.”
 
José Leite acrescentou que a INSULAC tem os olhos postos no incremento da internacionalização 
pois que “já exportamos para o Canadá, América e Angola, estando-se a preparar a empresa para chegarmos a mais mercados, nomeadamente de África e da Ásia, havendo igualmente boas perspectiva para começar a vender na Austria”.
 
“A INSULAC está assim – afirmou José Leite – com propósitos de estratégia que se encaixam nos do executivo nacional, já que foi o próprio Secretário de Estado da Alimentação a defender, no discurso com que encerrou a cerimónia, que o sector teria de apostar mais na inovação e continuar o aperfeiçoamento da qualidade, como mecanismos valorizadores do sector e que concorrerão para ganhar a aposta da internacionalização”.
 
Paulo Costa Leite, Director Geral da ANIL, ao referir-nos as valiosas distinções conquistadas pelos queijos dos Açores, considerou o concurso como “um grande sucesso, que honra a organização, até por ter sido um grande encontro de produtores nacionais, independentemente de serem associados ou não da ANIL, oriundos dos diversos pontos do país e com estruturas produtivas de dimensões variadas, pelo que considero ser esta iniciativa uma excelente plataforma para trocarmos ideias e nos conhecermos melhor” defendendo ainda ter constituído uma óptima oportunidade para os produtores manifestarem, às autoridades regionais e nacionais presentes, os seus anseios e as suas preocupações e de, inclusivamente, fazerem um ponto da situação do sector  e questionarem mesmo as tutelas, se assim o entendessem, acerca dos próximos passos para o futuro” que, aproveitou para alertar, “a nossos olhos está bem incerto”.


Fonte: Correio dos Açores

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Saloio quer instalar fábrica de queijos de cabra na Bahia



A Queijo Saloio Indústria deLacticínios confirmou o projeto para implantar, na cidade baiana de Alagoinhas, uma indústria de processamento de leite de vaca, cabra e ovelha, objetivando a produção de queijos especiais. Também foram assinados termos de cooperação técnica para transferência de conhecimentos e tecnologias agropecuárias adaptadas às pequenas e médias propriedades na Bahia.

Este foi o primeiro resultado da missão comercial em Portugal, chefiada pelo secretário da Agricultura da Bahia, Eduardo Salles, e o superintendente de Atração de Investimentos da Seagri, Jairo Vaz, com a participação de 11 líderes de associações de produtores (que custeiam suas despesas), estando entre eles os prefeitos de Luis Eduardo Magalhães e de Barreiras.


No mercado desde 1968, a Saloio é o terceiro maior player no mercado português de queijo, sendo o líder no segmento  das especialidades. A empresa produz e vende queijo fresco, requeijão e especialmente queijo curado, transformando aproximadamente 150.000 litros de leite por dia.


Com duas unidades de produção em território nacional (Abrantes e Ponte de Rol), a Saloio exporta para França, Espanha, Inglaterra, Holanda, Luxemburgo, Bélgica, Suécia, Alemanha, Suíça, Eslovênia, Grécia, Canadá, EUA, Brasil, Angola, Moçambique, África do Sul, Cabo Verde e Macau.




Fonte: Bahia Negocios / Anilact

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Empreendorismo - Mãos frias com cheiro a cardo

Maria do Céu Saraiva, queijeira, quase na brincadeira, respondeu ao desafio de um companheiro de jorna e foi mostrar à Casa da Ínsua que sabia fazer queijo da serra da Estrela. Hoje tem selo DOP. 

"Olhe que num noto!" Mas tem. Maria do Céu tem de facto as mãos frias, dentro da possibilidade de ter as mãos frias numa tórrida tarde de Julho em Penalva do Castelo. Tem-nas seguramente mais frias do que as nossas, lavadas de calor. É por estar calor que Maria do Céu está com a mão noutra massa que não aquela que lhe pede pouco sangue nos dedos. Apanhámo-la a apanhar cardos, ou melhor, a arrumar em caixas abertas as longilíneas pétalas roxas que lhe vão coalhar a obra. É de queijo que falamos, com selo DOP da serra da Estrela. 

O passado de Maria do Céu Saraiva tem 53 anos, três cancros, duas filhas, um divórcio e pais da lavoura. É do tempo deles que data o uso que deu às mãos frias. Não porque o fossem, mas porque a mãe queijeira da Quintela da Azurara, na Mangualde da outra banda do vale, adoeceu.

"Tinha alguns 14 anos" e a quarta classe, quando fez o primeiro queijo sozinha, a olho e com os utensílios que "estão para lá" na casa dos pais e que, promete, há de ir desenterrar. Porque o queijo que lhe sai dos dedos, hoje, não é nada que tenha que ver com o queijo feito a olho, cozido em banho-maria, coberto com uma manta velha, curado onde calhava, num fundo da cozinha que era "daquelas fundas".

Hoje, tem o fantasma da ASAE e uma balança para medir escrupulosamente o sal, o cardo, o leite. Seis litros por quilo de queijo, feito numa francela assética, um metálico retângulo inclinado em vez da redonda madeira da mãe, e enrolada noutro inócuo acincho, tudo manuseado por detrás de vidros. Maria do Céu está como numa montra, na silenciosa queijaria da Casa da Ínsua.

Penalva entrou-lhe na vida aos 18 ou 19 anos, em dote com a aliança que mais tarde rejeitou. E tirou-lhe o queijo, a princípio, que os cafés de que foi tomando conta desviaram-lhe a rota. A necessidade trouxe a queijeira até à Ínsua ainda nem a casa era o que hoje é. Vindimou, conheceu gente como ela, na jorna, e seguiu vida. Até que a terra dos Albuquerque passou a hotel de charme com a quinta revigorada. "Disse-me um rapaz que trabalhava aqui, 'ó velhota, tem que vir trabalhar para a Casa da Ínsua', mas eu só se fosse para fazer queijo..."

A primeira roda calhou-lhe bem e ficou, desde aí, a emprestar a frieza manual a uma das 14 marcas certificadas de queijo serra da Estrela e a ensinar os curiosos que queiram tentar e, na maioria dos casos, arruinar a possibilidade de um bom amanteigado. Porque é nisso que a as mãos frias que não sente fazem a diferença. Como um forno muito quente esturrica um assado mal cozido, o calor transforma um DOP num simples queijo de ovelha curado. Explica ela, que até tem fígado traiçoeiro e nem pode sonhar provar o que faz.