A ministra sublinhou, por outro lado, que o protocolo hoje assinado com a Noruega não tem data
A
ministra da Agricultura e Mar, Assunção Cristas, assinou hoje com a sua
homóloga norueguesa, Elisabeth Aspaker, um acordo sem prazo para
garantir que o bacalhau destinado a Portugal mantém a cura tradicional e
estará isento de fosfatos.
Segundo Assunção Cristas, esta será uma garantia adicional para o
consumidor português, depois de Bruxelas ter aprovado em julho, a
utilização destes aditivos no bacalhau, com o voto favorável de
Portugal.
“[O acordo] é muito importante para termos garantias acrescidas por
parte da Noruega de que vai continuar a vender bacalhau de acordo com a
cura tradicional e dá-nos um conjunto atualizado de empresas que não
usam polifosfatos”, disse a ministra numa visita às lojas tradicionais
da rua do Arsenal, em Lisboa, após a assinatura do memorando.
Os polifosfatos são um aditivo químico que retém a humidade do peixe,
o que segundo a Associação dos Industriais do Bacalhau fará aumentar o
tempo de cura, implicando um agravamento dos preços, e pode modificar a
textura, a cor e o sabor do bacalhau.
Questionada sobre os motivos que levaram o Governo a aprovar o uso de
polifosfatos no bacalhau, apesar de ter assumido inicialmente uma
posição contrária, Assunção Cristas respondeu que o Governo português
“trabalhou arduamente” para transformar a proposta inicial e deu-se por
satisfeito com a introdução de regras mais estritas de rotulagem e com a
monitorização do regulamento nos primeiros três anos de aplicação.
“É preciso ter a noção de que estamos num clube de 28 [a União
Europeia], em que a voz de Portugal é ativa, mas é tanto mais eficaz se
conseguir transformar uma situação que já vinha fechada e que agora nos é
favorável. Não inibimos que outros países comprem bacalhau com
polifosfatos (…), mas era importante garantir que Portugal continuava a
ter o método tradicional de cura”, sublinhou a governante.
Para Assunção Cristas, ficou “garantido que Portugal não vai importar
bacalhau com fosfatos porque não quer” e que “a Comissão Europeia vai
vigiar de forma particularmente atenta no início”, a forma como o
comércio está a ser feito, uma solução que foi “muito conversada com o
setor transformador em Portugal”.
A ministra sublinhou, por outro lado, que o protocolo hoje assinado com a Noruega não tem data.“Depois dessa altura vamos continuar a ter o bacalhau como queremos
até porque acabámos de celebrar um acordo com a Noruega, que é o nosso
grande fornecedor, que nos garante que continuaremos a ter o bacalhau
como queremos”, vincou.
Também a ministra norueguesa das Pescas e dos Assuntos Costeiros
destacou a importância do acordo face ao peso do mercado português para o
bacalhau da Noruega e garantiu que o seu país está empenhado em “fazer o
produto que os consumidores portugueses preferem”.
Fonte: Jornal i
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